Nos últimos dias, a Secretaria de Educação de Jaraguá do Sul (Semed) tem comunicado aos pais sobre o retorno gradativo dos alunos que estão 100% no ensino remoto para o ensino híbrido, 50% online e 50% presencial. Segundo a secretaria, a adaptação é gradual e não será obrigatória, mas já acontece a partir da próxima semana.

Ao fim do primeiro trimestre deste ano letivo, a Semed avalia que muitos alunos que estão no ensino completamente remoto estão ficando para trás no aprendizado. A rede municipal tem cerca de 21 mil alunos e 30% deles, ou seja, 5.300, estão no ensino remoto.

"Desses mais de cinco mil, uma grande parte não está acompanhando pedagogicamente como deveria, porque não estão fazendo as atividades como deveriam", explicou a secretária Ivana Atanásio Dias ao OCP.

É justamente estes alunos que a rede municipal quer que passem do inteiramente remoto para o híbrido. A secretaria afirma que, respeitando o distanciamento, é possível trazer a maioria deles para intercalarem uma semana em casa e outra na escola.

"Respeitando o distanciamento, podemos ter de volta praticamente as cinco mil crianças, mas não vão voltar 100% presencial, vamos continuar no híbrido: uma semana em casa, outra na escola", complementa Ivana.

Conforme a secretária, nos casos em que a família opte por permanecer no ensino remoto, mesmo o aluno não tendo fator de risco, isso deve ser tratado diretamente com a direção da unidade escolar.

Segundo Ivana, a criança com comorbidade fica no grupo C - grupo de alunos em salas de aula virtuais. Se os pais têm medo do aluno ir para escola por causa da pandemia, ela fica no grupo C. "O que não dá é ficar no C a criança que os pais não mandam para o híbrido, mas também não está fazendo nada em casa", argumenta a secretária e emenda: "A família precisa se comprometer com o aprendizado dessa criança. Antes todo mundo foi para o grupo C porque não podíamos atender presencialmente. [...] Não queremos que todos voltem de um dia para o outro. Não tem espaço para os 21 mil alunos, hoje, respeitando o distanciamento. Mas tivemos 15 alunos contaminados na última semana, apenas cinco servidores, dentre nossos 1.800. Isso significa que nosso protocolo é sério", complementa Ivana.

Ao fim deste trimestre, a secretaria informou que os professores fazem exames diagnósticos e detectaram que essas crianças precisam pelo menos voltar ao ensino híbrido para que consigam minimizar o prejuízo educacional.

"Terminamos o primeiro trimestre na semana passada. Há centenas e centenas de famílias que não estão entendendo a dificuldade da criança que não tem contato presencial com o professor. Nossa intenção não é desrespeitar o medo da família, é começar a trazer as crianças de volta para o contato com o professor. [...] Enquanto não tinha outro jeito, ok. Mas temos um protocolo seguro, mantemos o distanciamento. [...] Se as famílias cuidarem e só sair a criança para vir para escola, o perigo é muito reduzido. Os pais também precisam entender que precisam sim sair de casa para trabalhar e por outras necessidades, mas que devem sair o mínimo possível para que os filhos possam ir à escola", argumenta Ivana.

Algumas exceções são as turmas com poucos alunos, que voltarão completamente ao ensino presencial. "São turmas pequenas, as salas tem capacidade. Mas são só algumas, não todo o alunado do município, porque normalmente as turmas são grandes", complementa a secretária.

Avanço da vacinação

Jaraguá do Sul está com 100% dos leitos de enfermaria e UTI adultos ocupados e a média móvel de casos de Covid-19 sobe há mais de trinta dias, com quedas pontuais.

O aumento de casos preocupa, mas a Semed considera que a vacinação avançou o suficiente para permitir este retorno gradual. "Os números estão altos, sabemos disso, mas idosos e grupos de risco já foram vacinados. Iniciamos no dia 27 a vacinação dos professores. Entre dez a 15 dias todos os profissionais da educação serão vacinados", sustenta Ivana.

Compensação no contraturno

Ainda segundo Ivana, a secretaria tem um projeto pronto para oferecer recuperação no contraturno aos alunos. "Quando a pandemia acabar ou for seguro todo mundo voltar, não tenho dúvida de que grande partes dessas crianças terão aula de manhã e a tarde", diz a secretária.

"O que a gente fez no modelo digital foi minimizar o impacto. Eu sempre enfatizei que não há como se falar que o modo digital é tão eficiente quanto o presencial, ainda mais com criança, que não consegue entender como é estudar sozinho. O que a gente fez, com muito trabalho e respeito, foi tentar minimizar. Elas vão precisar desse fundamento amanhã", concluiu.