Após meses de aulas a distância, reuniões por chamadas de vídeo e muitas mensagens pelas redes sociais, os trabalhos desenvolvidos pelos alunos da escola estadual Heleodoro Borges durante a pandemia, finalmente preencheram as salas e corredores da unidade.

Neste mês, a escola realizou uma semana especial de mostra das atividades feitas pelos alunos do ensino médio e do magistério nas aulas não presenciais.

O resultado prova que mesmo com o período difícil, estudantes e professores conseguiram inovar e promover o aprendizado.

Ao longo dos últimos meses, atividades criativas e diferenciadas foram propostas para as turmas. Teve gincana virtual, festa de halloween, palestras com psicólogas e temáticas pertinentes ao momento atual, como ansiedade e depressão, além de outras dinâmicas práticas.

Foto Fábio Junkes/OCP News

A diretora da unidade, Luciane Tischler Rudnick, explica que com a pandemia, foi essencial buscar estratégias para que os alunos participassem das atividades, principalmente por conta da metodologia do Emiti (Programa de Ensino Médio Integral em Tempo Integral) existente na escola.

"Por ser uma carga horária dobrada, com projetos de pesquisa, projeto de vida, estudos orientados e projeto de intervenção, foi necessário buscar um diferencial. Fizemos reuniões toda semana para definir o que seria feito, envolvendo tanto os estudantes como as famílias deles", aponta Luciane.

Os materiais das atividades também eram entregues para quem não tinha acesso à internet. E para os alunos que estavam desmotivados, foi proposta uma monitoria estudantil.

Luciane avalia que a equipe de profissionais da unidade conseguiu adaptar o currículo escolar com trabalhos relevantes e que incentivaram a interação entre os jovens, visando a saúde mental.

Trabalho desenvolvido nas aulas do magistério, como mostra a coordenadora Juliana de Borba | Foto Fábio Junkes/OCP News

"No magistério falamos sobre as emoções para auxiliar neste momento tão complicado. Além de ensinar, precisamos de um olhar humano diferenciado", comenta.

Nas turmas de ensino integral, ficou em foco o desenvolvimento do protagonismo estudantil e questões de empatia e resiliência dos alunos.

"Chegando ao fim do ano letivo, podemos dizer que a colaboração, participação e confiança entre alunos e professores só cresceu neste ano. Quando veio a dificuldade, nos abraçamos e superamos", completa.

A experiência online para os alunos

Os estudantes também foram surpreendidos com a mudança na forma de aprender causada pela pandemia do coronavírus.

Aluna do primeiro ano do ensino médio, Déborah Roberta dos Santos, conta que o início não foi nada fácil, em especial pelo volume de matérias e atividades da modalidade integral.

"No presencial não parecia que eram tantas matérias porque era mais dinâmico, olho no olho. Agora é só eu, meus cadernos e uma tela de computador. Às vezes tinha a sensação de não estar fazendo nada por ser tudo muito parado", conta.

Com o passar das semanas, ela acredita que todos conseguiram se organizar melhor com o "novo normal".

"Os professores mandavam mensagem pedindo nossa opinião sobre como a aula estava e nós também pedíamos a avaliação deles sobre nossas atividades", observa.

Déborah avalia que a organização e diálogo da escola fizeram com que alunos e professores se encaixassem neste novo método de ensino.

"Confesso que me adaptei muito bem e tem recursos que são melhores que o presencial", ressalta.

 

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