Luiz Carlos Prates é jornalista profissional e psicólogo formado pela PUC/RS. Conhecido por suas participações como comentarista em jornais locais da Rede Globo e SBT, Prates também é colunista do jornal O Correio do Povo e faz críticas políticas e sociais sempre de um jeito bastante acalorado.

O jornalista fará uma palestra no teatro Scar em Jaraguá do Sul, na quinta-feira (10), às 19h30. A palestra “Do tropeço ao recomeço: tudo é possível ao que crê” vai abordar as diversas lições deixadas pela pandemia, no aspecto emocional, profissional e existencial. Ingressos antecipados podem ser adquiridos no site eticktcenter.com.br, na bilheteria do teatro Scar, ou no site Scar.Art.br

Em entrevista ao OCP, Prates conta um pouco mais sobre o conteúdo da palestra, sobre seu segundo livro que pretende lançar em março e sua visão sobre o mundo digital. Confira:

OCP - "Do tropeço ao recomeço: tudo é possível ao que crê", conte um pouco sobre como será a abordagem desta palestra.

Prates - "Vamos partir inicialmente de uma avaliação sobre as dificuldades que muitas pessoas passaram e se abateram, que desanimaram, pessoas que perderam o emprego, que tiveram a renda reduzida. Será sobre todas essas dificuldades que todos nós passamos. Um momento como esse não pode ser a causa para o desânimo, isso é um mantra para a vida. Então nós temos que ter consciência, é aquela velha história que eu costumo repetir, como diz o evangelho de Marcos 9:14-26: "Que se tu podes crer, tudo é possível ao que crê". Nós temos que acreditar em nós mesmos, porque ninguém pode nos ajudar, se não nós mesmos. Muitos se acham incapazes, se acham velhos, mal qualificados, qualquer coisa, a grosso modo, poderia justificar o desânimo, mas não, nós temos que ter ânimo e todos nós temos. Então é a partir da ideia que todos nós podemos muito mais, que a pandemia, ou qualquer outro desafio, é como um tempero, para deixar a vida intensamente mais interessante".

OCP - Sendo colunista do OCP, qual sua visão diante das redes sociais e a briga pelo espaço digital e impresso?

Prates - "É uma tendência mundial, todos os grandes jornais entraram nessa e muitos até pararam de imprimir suas edições históricas, mas é alguma coisa que se confunde com a 'lei do menor esforço'. As pessoas estão muito indisciplinadas para a leitura. E eu costumo dizer que quem ler sabe, quem ler jornal sabe mais. Ninguém vai ler por exemplo, a Bíblia, em um processo digital, colorido, luminoso. O jornal você pega, sublinha, vai para uma página, volta para outra, e enfim...para as pessoas que descobriram o valor da leitura, o livro e o jornal impresso são insubstituíveis".

OCP - Suas palestras continuam sem uso de slides, “à prova de apagão”?

Prates - "Sim, a minha palestra é estilo grego milenar, uma 'pregação' de forma que as pessoas não percam a atenção, daí entra como tom natural, não como uma teatralidade. De um modo ou de outro, a palestra tem que passar pelos interesses da plateia, eu não ouço aquilo que não me interessa. Tem um ditado que diz 'nós só concordamos com quem pensa igual a nós'. Se você levar conteúdos para a pessoa, para que ela se idealize no dia dia, na vida família, no profissional, na sua atividade social, se você levar uma mensagem desse tipo as pessoas vão ouvir. São duas coisas, o conteúdo e o modo que esse conteúdo é passado. Aquela projeção do slide distrai, ele só se justifica em questões muito técnicas, a exemplo de mostrar um alicerce de um prédio que vá ser construído. Fora isso, temos que deixar a imaginação da pessoa correr.

OCP - O senhor acha que a sociedade vive uma dependência de equipamentos eletrônicos? O que isso acaba causando?

Prates - "Sim, já foi mais que comprovado que as crianças e adolescentes andam bem mais inseguros, ansiosos, medrosos, e a tendência a suicídio cresceu bastante, o que é injustificável para jovens, eles estão perdidos. Hoje qual é a diversão para uma criança? É um eletrônico, ele robotiza, não desperta criatividade, e sem ela não atravessamos a rua, é preciso que saibamos pensar. Pela automação do mundo digital eu respondo apenas aquilo que me chega, não é nada criativo, deseduca e vai criar um problema de mercado de trabalho muito sério, como já vem criando. Hoje em dia, por exemplo, quando se chega na empresa eles conseguem dominar o computador, mas é só o que ele domina, ele não aumenta as vendas, ele não cria, ele não ajuda o tecido orgânico da empresa a se diferenciar do mercado, ele segue a tendência do rebanho e o rebanho está no digital".

OCP - Sobre as suas passagens aqui por Jaraguá do Sul, qual a imagem que você tem da nossa cidade?

Prates - "Já tive várias passagens por Jaraguá e eu acho absolutamente desenvolvida, forte, competitiva. E eu não estou sendo apenas educado, é um reconhecimento real a uma verdade incontestável. A região é um centro forte, gerador de empregos, de desafios, e que de certo modo muito representa o poder econômico e o poder social de Santa Catarina. É uma região que precisa ser muito bem reconhecida e privilegiada".

OCP - O senhor prepara o lançamento de seu novo livro “Tudo é o possível ao que crê”. O que podemos esperar dele?

Prates - "Vai ser uma coletânea de pensamentos e verdades alicerçados na psicologia do cotidiano de todos nós. O livro vai conter princípios resumidos em cada página, sobre questões que nos envolvem e nos motivam, ou podem desanimar se estivermos desavisados. É como se fossem comprimidos para que fiquemos emocionalmente mais fortes".