Entidades ligadas à área da saúde divulgaram uma carta aberta em repúdio ao uso do medicamento ivermectina para o tratamento precoce do coronavírus em Santa Catarina. O protocolo passou a ser adotado recentemente em cidades como Itajaí e Balneário Camboriú, e vem recebendo o apoio de um grupo de médicos catarinenses que defendem a sua ampliação para todo o estado.

Segundo o manifesto, que foi assinado por setores da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e instituições como a Associação Brasileira de Saúde Coletiva e Sociedade Brasileira de Virologia, não há fundamento científico que comprove a eficácia do tratamento.

 

“Os antiparasitários ivermectina e nitazoxanida parecem ter atividade in vitro contra a SARS-CoV-2 (vírus que causa a doença), porém ainda não há comprovação de eficácia in vivo, isto é, em seres humanos. Muitos dos medicamentos que demonstraram ação antiviral in vitro (no laboratório) não tiveram o mesmo benefício in vivo (em seres humanos). Só estudos clínicos permitirão definir seu benefício e segurança na Covid-19”, destacam as signatárias, baseando-se em informe da Sociedade Brasileira de Infectologia.

 

As entidades sustentam que esse mesmo medicamento já foi proposto para possível tratamento de infecções como HIV, dengue, influenza e Zika Vírus, mas em nenhum caso apresentou resultado antiviral eficaz, sendo totalmente descartado.

Além disso, ressaltam que este tipo de iniciativa estimula a aplicação de recursos de forma equivocada, gera falsas expectativas e falsa sensação de segurança na população. Como consequência, afirmam, há um impacto negativo na adesão às "medidas reconhecidamente eficazes de proteção e prevenção" do coronavírus, como a testagem em massa, isolamento e quarentena, distanciamento social e uso de máscaras.

 

"Até o momento, essas são as únicas medidas com evidências científicas e aplicadas em diferentes países que possibilitaram reduzir o número de infecções, de internações hospitalares, de óbitos e a reabertura de setores da economia", enfatizam.

 

As instituições alertam ainda que o "cenário de Santa Catarina é preocupante e requer ações coerentes e baseadas nas melhores evidências".

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