A terceira edição do Encontro de Educação Inclusiva, promovido pelo instituto Federal de Santa Catarina (IFSC), reascendeu o debate acerca da inclusão.

O anfiteatro do campus do Centro de Jaraguá do Sul estava lotado nesta sexta-feira (19) para ouvir a palestra de especialistas e histórias comoventes.

A organização para o evento começou no início de 2018 e contou com os trabalhos de 21 pessoas, entre elas a professora Veridiane Ribeiro, de 43 anos. Ela fala que o objetivo é oferecer assuntos que venham ao encontro das necessidades da comunidade.

Veridiane destaca que apesar do país contar com mais de duas décadas de legislação e algumas leis recentes, garantindo o direito à inclusão, é notório que existe muito a ser feito.

“Ainda é necessário que uma instituição como a nossa, que é pública e federal, tenha o compromisso com a comunidade em trabalhar questões da inclusão", enfatiza.

Encontro quebra barreiras

O professor Fabrício Ramos, de 39 anos, é surdo e acredita que o evento é importante para que a comunidade tenha um maior conhecimento sobre inclusão e para que os fatos não fiquem distorcidos em meio a uma enxurrada de informação.

"O tema é de extrema importância para a sociedade e encontra muitas barreiras para ser colocado em prática", enfatiza.

Fabricio diz que o Encontro de Educação Inclusiva é uma oportunidade para discutir, refletir e disseminar conhecimento a respeito das questões que envolvem a inclusão das pessoas com deficiência, principalmente no espaço escolar.

Foto Eduardo Montecino/OCP News

Veridiane informa que o IFSC tem sete alunos com deficiências e todos eles estão inclusos em todos projetos. Em 2017, a instituição teve a primeira pessoa surda formada em moda da região.

História da inclusão

O professor Lucídio Bianchetti trabalha com o ponto de vista histórico da inclusão, desde a mitologia grega até o domínio da burguesia como classe dominante, sempre tentando falar sobre aquela pessoa que não se enquadrava na normalidade de uma determinada época.

Foto Eduardo Montecino/OCP News

Lucídio tem dois livros tratando sobre esse tema: "Um olhar sobre a diferença", escrito com Ida Mara Freire. E o livro "A In/Exclusão no trabalho e na educação", que ele escreveu com José Alberto Correia.

"O assunto muda constantemente e é tão importante que já precisei atualizar 12 vezes o livro 'Um olhar sobre a diferença'". relata.

Ele ressalta que um evento como esse ajuda na perspectiva da inclusão, na medida que você pega pessoas em diferentes estágios de compreensão do assunto e proporciona um aprendizado melhor.

"É uma questão complexa trabalhar em sala de aula com alunos que apresentam algum tipo de dificuldade, mas a ciência tem resposta para isso", frisa.

Bainchetti confessa que quando foi chamado para a palestra, em junho, ele nunca imaginou que o cenário político fosse afetar tanto sua fala sobre inclusão. Ele conta que teve um cuidado maior ao comentar questões humanas. Um dos temas que ele citou na palestra foi cotas.

"Cotas é uma tentativa de corrigir historicamente a inclusão, mas acredito que não pode ser permanente, senão começa a premiar uma determinada classe", destaca.

Evento contou com palestras

A primeira palestra do dia foi sobre autismo, ministrado por Heloísa Bayer Fontanive, da AMA de Jaraguá do Sul. Na sequência o professor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Lucídio Bianchetti comentou sobre os desafios da inclusão. Na terceira parte, os professores do IFSC de Palhoça, Fabrício Ramos e Saulo Vieira palestraram sobre surdez.

Foto Eduardo Montecino/OCP News

A última palestra foi sobre Atendimento Educacional Especializado, com a professora da UFSC, Violeta Porto Moraes.

E por último teve uma mesa redonda, com relatos de um deficiente visual, Paulo Suldósvski e a mãe de outro deficiente visual, Sandra Tromm, ambos da Associação Joinvilense para Integração dos Deficientes Visuais (Ajidevi).

O evento foi Coordenado pelo Núcleo de Atendimento às Pessoas com Necessidades Específicas (Napne), em parceria com a Coordenação de Extensão e Relações Externas, e contou com ajuda de profissionais do campus do IFSC do Rau.

 

Quer receber as notícias no WhatsApp?