A decisão da Prefeitura de Joinville em organizar um encontro voltado à empreendedores negros da região tem causado bastante polêmica nas ruas da cidade e nas redes sociais. De um lado há quem diga que este tipo de evento seria importante para o fortalecimento da classe. Por outro, há quem justifique que segregar contribui para o preconceito.

O 1º Encontro Afroempreendedores de Joinville fará parte das comemorações do mês da Consciência Negra, e será realizado em 27 de novembro, na Acij (Associação Empresarial de Joinville). Nesta semana, o governo divulgou que as inscrições para o encontro estão abertas e justificou que a ação visa reunir empresários, empreendedores e microempreendedores negros e negras e também interessados.

“O principal objetivo é que os afroempreededores e demais presentes compartilhem experiências e estratégias aplicadas em seus negócios”, destaca o coordenador de Promoção da Igualdade Racial da Prefeitura de Joinville, Paulo Junior.

O Encontro abrirá com a palestra “Afroempreendedorismo no Brasil: o oceano azul na economia”, com Giselle Marques, coordenadora estadual da Rede Brasil Afroempreendedor. Para Paulo Júnior, a repercussão negativa é um reflexo da falta de conhecimento de algumas pessoas sobre o assunto.

“Esta temática já vem sendo trabalhada em todo País. É um encontro de seguimentos, assim como os de mulheres empreendedoras, jovens empreendedores, que visa dar mais visibilidade aos empresários”, acrescenta.

A polêmica

A repercussão contra o evento ganhou força nesta semana, no Jornal da Manhã, apresentado por Ananias Cipriano, na Rádio Jovem Pan Joinville. Ele levantou a discussão de que a Prefeitura de Joinville deveria desenvolver ações para unir e não segregar.

Cipriano citou no programa radiofônico o depoimento do empresário joinvilense negro Jackson Furkin.

“Acredito que o evento deveria pleitear todos os empresários que começaram do nada para valorizar suas ideias e ações como empreendedores pelos seus méritos e não por algo tão superficial como um traço genético”, lê Cipriano, parafraseando Jackson Furkin.

O empreendedor negro diz ainda que:

“Acredito que tal evento apenas serve para criar uma divisão desnecessária e excluir outros empreendedores que mereçam estar por lá, mas pelo simples e superficial filtro discriminatório do evento não poderão. Batalhei e dei duro na vida para conquistar o que tenho e em nenhum momento precisei usar ou fez diferença a cor da minha pele para atingir meus objetivos”, disse o empresário, segundo Ananias Cipriano.

Por fim o Jackson Furkin diz que não participará do encontro.

“Espero que um dia possamos viver e sermos tratados por quem somos como pessoa e não por diferença de cor, raça, sexo e classe social”.

Como participar

A Prefeitura de Joinville voltou a ressaltar que o encontro é aberto a todos os empresários da cidade. A participação é gratuita e deve ser feita no site da Prefeitura de Joinville. As vagas são limitadas.

O evento é promovido pela Prefeitura de Joinville, através da Coordenadoria de Políticas para Juventude, Direitos Humanos e Promoção da Igualdade e do Conselho Municipal de Promoção da Igualdade Racial, e conta com o apoio da Associação Empresarial de Joinville e Rede Brasil Afroempreendedor.

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