O empresário formal do ramo de alimentação em Criciúma, Reginaldo de Oliveira Magagnin, que fugiu das polícias na manhã de ontem, em operação interestadual contra o tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e organizações criminosas, já tinha sido preso há 14 anos por tráfico internacional de drogas.

O flagrante, à época, ocorreu na cidade de Nova Hartz, no RS, em 19 de julho de 2006, pela Polícia Federal. Segundo os autos processuais, ele, a irmã, e outros indivíduos, integravam uma organização criminosa que negociava entorpecentes com fornecedores do Paraguai em troca de automóveis.

Magagnin foi abordado em um veículo Dakota, do Paraguai, transportando cocaína.

Operação Galeria

A operação denominada “Galeria” foi fruto de um trabalho de mais de nove meses de investigação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público, juntamente com a Agência Regional de Inteligência da Brigada Militar do Comando de Polícia Ostensivo da Serra.

Ao todo, 11 mandados de busca e apreensão e quatro de prisão preventiva foram cumpridos nas primeiras horas da manhã. Um dos mandados ocorreu dentro da Penitenciária Estadual de Caxias do Sul, onde o líder da organização criminosa, e principal alvo da operação policial, estava preso.

A ação ocorreu, simultaneamente, em Caxias do Sul e Vacaria, no Rio Grande do Sul, e Criciúma.

"Desde o início da operação foram apreendidos o equivalente a mais de R$ 2,5 milhão em drogas. O trabalho de Inteligência acabou chegando num dos maiores fornecedores de droga de Santa Catarina, que mantinha ligação direta com o líder da organização criminosa na serra. Com ele foram apreendidos no curso da operação mais R$ 1,8 milhões em dinheiro. Nesta manhã foram cumpridos mandados de prisão na residência onde ele morava em Criciúma, mas ele não foi localizado e será dado como procurado da justiça", informou a Agência Regional de Inteligência da Brigada Militar do Comando de Polícia Ostensivo da Serra.

Apreensões

Quarenta e um veículos com vínculos com os investigados, que eram utilizados pelo grupo para prática de condutas criminosas, também tiveram restrição de circulação e transferência deferida pela justiça. Foram apreendidos ainda, seis veículos, 3,403 quilos de maconha, 20,337 quilos de cocaína e 58,895 quilos de crack. Duas mulheres e cinco homens foram presos ao longo da operação.

O líder da organização criminosa na serra foi denunciado por novos crimes e transferido para a Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas. A justiça ainda deferiu a indisponibilidade de um dos imóvel que era usado como uma das bases da organização criminosa, no Distrito de Santa Lúcia, interior de Caxias do Sul.

Durante o cumprimento de mandado no endereço, além de valores, foram apreendidos materiais relacionados à lavagem de dinheiro, animais exóticos e localizada uma fábrica de armas artesanais. Duas pessoas acabaram presas no local, uma delas, alvo do mandado de prisão preventiva.

O líder criminoso ainda é suspeito de planejar e comandar de dentro da penitenciária a execução de dois homens no início deste ano em Canasvieiras, em Florianópolis. O duplo homicídio teria sido motivado por uma disputa territorial entre as organizações criminosas.

A operação, contou como apoio de policiais do 4º Batalhão de Polícia de Choque, Força Tática e Canil do 12º BPM; Grupamento Aéreo da Brigada Militar de Caxias do Sul; Força Tática do 10º BPM, Polícia Rodoviária Federal (PRF); Susepe; Gaeco/SC, Batalhão de Polícia Ambiental e Polícia Militar do Estado de Santa Catarina.