Depois da inesperada quarentena que fechou as portas de muitos negócios, pouco a pouco as liberações fizeram comércio e serviços voltarem a funcionar.

Mas, a realidade não é a mesma de antes: a redução na capacidade de atendimento foi necessária para garantir segurança e muitos hábitos dos clientes mudaram diante da pandemia de coronavírus.

Na Cachaçaria Água Doce, apesar das portas estarem abertas e todas as adequações feitas, a preferência continua sendo pelo delivery, revela a sócia-administrativa Flávia Firmino Alves.

Durante os mais de 30 dias que o restaurante e choperia esteve de portas fechadas, a empresária conta que as entregas contribuíram para que o negócio se mantivesse ativo, mas não chegaram a representar 15% do faturamento.

Cardápio do restaurante tem sido requisitado para refeições em casa. Foto: Matheus Wittkowski/OCP News

“Economia, renegociações, ideias para um novo futuro, isso que é a nova realidade. Mesmo com a liberação da abertura do restaurante os clientes ainda não voltaram e preferem o delivery”, comenta.

“Nós tivemos que mudar paradigmas e ir em busca dessa nova realidade”, completa.

Portas estão abertas, álcool gel espalhado por todo o ambiente e mesas reduzidas pela metade - o ambiente está pronto para receber os clientes, mas percebendo que esse não é o movimento, o foco está nas entregas, conta Flávia.

Foram feitas promoções que mudam a cada dia da semana para quem ainda prefere não sair muito de casa.

Chope em casa

O mesmo movimento foi percebido pelo sommelier de cervejas e proprietário da tap house Wissen, Peter Alexander Decker. Ele conta, inclusive, que novos clientes têm surgido interessados nas entregas ou em buscar o produto.

Antes, o maior consumo era in loco, agora são clientes que compram os Growlers - recipientes próprios para armazenar a bebida e que podem ser enchidos nas torneiras da Wissen.

“Acabamos por oferecer preços menores para a compra dos Growlers, o que facilitou o acesso aos chopes para serem levados para casa”, comenta Peter.

O empreendedor afirma que o negócio já possibilitava essa forma de atendimento, então foi preciso apenas se adequar ao momento, o que tem sido necessário em todos os segmentos.

Até novos clientes, em ritmo de quarentena, têm buscado chopes diferenciados para aproveitar em casa. Foto: Divulgação

“Trabalhei 15 anos em um banco público e saí procurando mais qualidade de vida. Foi uma mudança brusca, mas necessária e pessoalmente muito prazerosa. Mesmo dentro do banco, sempre fui desafiado a mudar, a crescer, então encaro esse momento como mais uma oportunidade de mudança e crescimento”, reflete.

Impacto da quarentena

 

Cuidado com higiene já era rotina, mas rigor aumentou, afirma Igor. Foto: Divulgação

Para os negócios que ficaram completamente parados durante a quarentena, o impacto foi maior.

Segundo o sócio-proprietário da academia Fitway, Igor Hartmann, as medidas tomadas para voltar à atividade foram simples, já que as políticas de higiene fazem parte da rotina do lugar.

Mais álcool distribuído para manter tudo limpo, equipamentos colocados a maior distância, todos os profissionais foram treinados e orientados e a exigência com o uso das máscaras tem sido criteriosa.

“Os próprios clientes acabam se tornando fiscais dentro da academia. O que é muito positivo, pois demonstra que estão cientes que conquistamos um benefício em poder reabrir as portas e se tomarmos esses pequenos cuidados, podemos prosseguir com segurança”, conta.

Hartmann destaca que no momento ainda é de apreensão. Eles estão atendendo apenas 5% do volume de pessoas que costumavam. “O retorno às academias, apesar de seguro, ainda está muito tímido. Temos muitos horários ociosos, inclusive”, comenta.

Mensagens de orientação para clientes foram espalhadas por toda a academia. Foto: Divulgação

Foram 35 dias sem receber nada, mas com contas para pagar, o que exigiu demissões de alguns funcionários, considerada a “parte mais triste” pelo empresário.

“As academias, estúdios e demais atividades fitness são instituições que promovem a saúde. Acredito que as ações tomadas poderiam ser mais brandas (me refiro à quarentena), com mais controle sobre os cuidados de higienização e proteção”, finaliza.

Adequações e reinvenções

Profissionais passaram a fazer somente atendimentos individuais. Foto: Matheus Wittkowski/OCP News

Com mais de 20 profissionais para atender pacientes nas mais diversas áreas da fisioterapia e reabilitação e outros 10 funcionários, o ritmo na Clínica SER sempre foi acelerado.

Em média, 300 a 400 pessoas passavam pelo local por dia. Um número que reduziu em 70%.

Mesmo durante a quarentena e agora, a pacientes dos grupos de risco, são dadas orientações online para que os tratamentos não sejam interrompidos.

Os espaços dentro da clínica foram readequados para atender todas as normas de segurança e cada profissional passou a fazer apenas atendimentos individuais.

Percebemos que a maioria dos nossos pacientes estão conscientes sobre os cuidados a serem tomados individualmente”, diz.

“Percebo que o grande medo também existe na área financeira, pois todos estamos tendo que nos readaptar e nos reinventar. Isto influencia na saúde mental e física das pessoas”, completa.

Rita ressalta que a clínica conseguiu manter toda a equipe e não pretende fazer demissões, mas se diz incerta sobre o crescimento e futuro do negócio.

Rita Grubba afirma que momento, apesar de difícil, fortaleceu a equipe. Foto: Matheus Wittkowski/OCP News

“Preciso reconhecer que me sinto muito temerosa frente ao futuro, pois hoje não adianta querer atrair pacientes com novas técnicas e tratamentos. Estamos restritos a um número limitado de pacientes, sem perspectiva de aumento de atendimentos, porém, todos os profissionais, funcionários e despesas permanecem”, garante.

A empreendedora reflete que o período de quarentena reforçou bastante os laços da equipe, que voltou com mais ânimo e disposição. No momento, afirma Rita, o grande aprendizado profissional e pessoal é a importância de pensar no outro, no bem da coletividade.

 

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