Kamille Rainiak é um dos exemplos de força e dedicação das mulheres que resolvem encarar a profissão de bombeira - Foto: Eduardo Montecino/OCP Online
Kamille Rainiak é um dos exemplos de força e dedicação das mulheres que resolvem encarar a profissão de bombeira - Foto: Eduardo Montecino/OCP Online
Sorrisos intercalados por lágrimas e emoção norteiam as lembranças dos 15 anos como bombeira na corporação de Corupá. Mais do que um ato de bravura e coragem, integrar a equipe responsável por salvar vidas foi um ato de persistência e uma grande decisão que Kamille Rainiak tomou ainda na adolescência.
Decidida a fazer parte do grupo, a jaraguaense foi para Corupá para realizar a vontade, pois em sua cidade natal não aceitavam mulheres na corporação. Anos mais tarde, ela adotou aquele município como sua casa. Hoje, ela é uma das 15 mulheres formadas que atuam na corporação e que, somadas às 13 bombeiras em formação, terão um dia todo de plantão prioritariamente feito por elas.
A corporação de Corupá foi uma das primeiras da região a incluir as mulheres em sua equipe, tendo as primeiras integrantes entre os anos de 1998 e 1999. Atualmente, são duas mulheres efetivas, 13 voluntárias formadas e outras 13 em formação, totalizando 28 envolvidas. O efetivo masculino soma 54 socorristas.
Nada de delicadeza e sexo frágil, as mulheres bombeiras mostram que quando o assunto é salvar o próximo não há diferença entre gêneros. “Quando entramos na ambulância, somos todos iguais”, diz a bombeira efetiva Kamille Rainiak. Ela admite que alguns atendimentos requerem maior força física, por exemplo, e são feitos com maior facilidade pelos homens, porém, as mulheres passam pelos mesmos treinamentos e estão aptas a fazer os mesmos atendimentos que os socorristas homens. “Em alguns casos o fato de ser uma socorrista mulher até contribui porque o paciente, ainda mais quando é mulher, se sente mais confortável e segura”, conta.
Kamille entrou na corporação em 2001. Cinco anos mais tarde largou o emprego como vendedora para integrar o efetivo dos Bombeiros. Agora, Kamille atua mais na parte administrativa, mas guarda muitas lembranças dos atendimentos que fez. Infelizmente, nem todas são boas. “É difícil perder uma vida porque nosso objetivo é sempre socorrer aquele paciente, mas nem sempre conseguimos. É mais fácil te dizer a tristeza que é perder uma vida do que resumir a emoção de salvar uma”, lamenta. Por isso, ela afirma a importância de saber lidar com os sentimentos e administrar as situações. “Quando pisamos na ambulância precisamos esquecer tudo que nos rodeia para fazer o máximo pelo próximo”, enfatiza.
Além dos atendimentos, o sábado será dedicado a diversas atividades de integração na corporação de Corupá. “Como muitas acabam não se vendo, pois os horários são diferentes, e também temos mulheres em formação, essa ação funciona para integrar as mulheres e também mostrar a comunidade que temos mulheres trabalhando. E é muito legal porque valoriza a mulher nesse trabalho”, enfatiza. Alguns bombeiros homens, que estão na escala do plantão amanhã, também estarão à disposição para ajudar as mulheres.