A 11ª Feira do Livro de Jaraguá do Sul mal abriu as portas e os leitores já fizeram questão de visitar o espaço, que ocupa o estacionamento e as dependências do Centro Cultural Scar. Essa quinta-feira foi marcada pela visita das escolas, que aproveitam para se aventurar entre os livros e as contações de histórias, e a abertura oficial do evento. Já nesta sexta-feira (11), a feira abre a partir das 8h30 com as contações e se prepara para receber sua primeira grande atração: o escritor Eduardo Spohr. Considerado um dos principais nomes da literatura de fantasia no Brasil atualmente e com mais de 950 mil cópias de seus livros vendidas, o também jornalista Eduardo Spohr vem para a cidade com um bate-papo intitulado "Anjos e Demônios", às 19h30, no Grande Teatro. A conversa faz referência a seus livros "A Batalha do Apocalipse" e a tetralogia composta por “Filhos do Éden: Herdeiros de Atlântida”, “Filhos do Éden: Anjos da Morte”, “Filhos do Éden: Paraíso Perdido” e “Filhos do Éden: Universo Expandido”, um sucesso de crítica e vendas. Assim como todas as atrações da feira, o bate-papo tem entrada gratuita. Em entrevista exclusiva ao OCP, o escritor falou sobre o início da carreira e como é a criação das histórias de fantasia, sua presença nas redes sociais e também compartilhou sua visão do consumo de literatura. "É inadmissível que ainda existam analfabetos no país, mas eles existem e não são poucos. De um modo geral, o Brasil lê menos que outros países mais ricos. Entretanto, dentro da parcela de pessoas que leem, o interesse pela literatura está aumentando muito. Portanto, é verdade que o brasileiro lê pouco, mas é verdade também que está lendo cada vez mais", afirmou. Confira a entrevista: OCP - Você se tornou um dos maiores nomes da literatura de fantasia do país. Como foi seu começo na escrita? Eduardo Spohr: Penso que foi um caminho natural e gradual. Sempre gostei de escrever. Minha primeira aventura nessa área foi uma HQ, aos seis anos de idade, sobre um extraterrestre, claramente inspirada no filme "E.T.", de 1982. Como era péssimo desenhista, só me restavam os textos como veículo para eu contar as minhas histórias. Durante a infância e adolescência escrevi muito e de tudo (contos, novelas, romances), primeiro em cadernos espirais, com caneta esferográfica, e depois na máquina de escrever. Tudo era muito ruim, mas pelo menos me ajudou a treinar a minha prosa. Serviu com experiência. Meu primeiro livro publicado foi “A Batalha do Apocalipse”. Terminei de escrevê-lo em março de 2005 e decidi enviar o original para as editoras. Para causar uma boa impressão, rodei 30 exemplares em formato de livro mesmo (com capa e miolo) em uma gráfica que imprimia pequenas tiragens: a Fábrica de Livros do Senai, no Rio. Na época, a Fábrica estava com um concurso: era preciso deixar três exemplares para avaliação e o vencedor ganharia cem livros produzidos por eles. Eu tinha pouco dinheiro e não poderia dispensar três livros dos 30 que tinha pagado, mas mesmo assim resolvi arriscar e acabei premiado. Esses primeiros cem livros (adquiridos a custo zero) foram comercializados em 2007 pela NerdStore, a recém-inaugurada loja virtual do site Jovem Nerd. As cópias venderam todas muito rapidamente e usamos o dinheiro para produzir mais 500 livros, que também foram vendidos em menos de dois meses. A jornada não acabou por aí. Tendo vendido, em setembro de 2007, 600 cópias pela internet, eu tentei vender a ideia para as editoras, mas nenhuma se interessou. Foi só em 2009, quando fizemos uma segunda tiragem de “A Batalha do Apocalipse” pela NerdStore (agora produzindo quatro mil cópias), que a repercussão nas redes sociais chamou a atenção da editora Verus, que, recentemente, fora comprada pelo Grupo Editorial Record. Tive uma reunião com a Raissa Castro, que até hoje é minha editora, e assinamos o contrato. Em 2010, enfim, “A Batalha do Apocalipse” foi lançada pelo Grupo Editorial Record e distribuída nas livrarias de todo o Brasil. OCP - O que te inspira na criação das histórias e cenários onde elas se passam? Spohr: Uma ferramenta que sempre me ajudou a construir os cenários foi e ainda é o RPG. Na época (antes de escrever “A Batalha do Apocalipse”) nós (eu e meu grupo) jogávamos no Mundo das Trevas, uma ambientação de RPG que incluía vampiros, lobisomens, fantasmas e magos. Depois que assistimos ao filme “Anjos Rebeldes” (1995), ficamos com vontade de jogar com anjos e demônios, mas não existia regras para tal, então nós as criamos. Inventamos muitos personagens e situações. Eu peguei esses fragmentos e os costurei no meu primeiro livro publicado: “A Batalha do Apocalipse”. Portanto, vale lembrar, esse universo nasceu de uma criação coletiva. Quanto aos cenários, muitos dos meus livros se passam no Brasil, mas o importante é que isso seja feito de forma natural. Para mim, o cenário deve ser escravo da trama. O mais importante (ao meu ver) nos romances deve ser o enredo e os personagens. OCP - Qual o papel da literatura de fantasia no universo da leitura? Spohr: Eu sinceramente não faço essa distinção de gêneros. Acho a classificação importante para fins mercadológicos e não a desprezo. Mas do ponto de vista do leitor (e até do escritor) não importa o gênero, o que importa é um livro te emocionar. Qualquer livro que capte sua atenção tem sua importância e valor. OCP - Você tem forte presença nas redes sociais e, além dos livros, é conhecido pelos podcasts (Nerdcast e Filosofia Nerd). Você percebe que a internet exerce um importante papel também para o universo literário? Spohr: Sim, com certeza. A internet potencializou tudo, para o bem e para o mal. Pelo lado bom, é curioso notar que a internet, em vez de afastar as pessoas dos livros, acabou por aproximá-las do hábito da leitura. Blogs literários, redes sociais especializadas (como o Skoob) e mesmo as comunidades sobre livros nas redes sociais comuns estão reunindo pessoas e divulgando obras. E eu espero que o interesse pela literatura cresça cada vez mais. OCP - E como é estar presente em todas essas plataformas? Spohr:  Sempre mais um canal para eu me comunicar com os meus leitores, coisa que eu adoro fazer, seja pela web ou ao vivo. O feedback deles é muitíssimo importante. OCP - Muitos afirmam que o brasileiro é um povo que não lê. Como você observa essa questão de educação e do consumo literário no país? Spohr: É preciso separar as coisas. De fato, no Brasil, nós temos um problema crônico de educação. É inadmissível que ainda existam analfabetos no país, mas eles existem e não são poucos. Então, de um modo geral, o Brasil lê menos que outros países mais ricos. Entretanto, dentro da parcela de pessoas que leem, o interesse pela literatura está aumentando muito. Portanto, é verdade que o brasileiro lê pouco, mas é verdade também que está lendo cada vez mais. OCP - Você é considerado o símbolo de uma nova geração de escritores no Brasil.  Qual o conselho que deixaria para quem está pensando em escrever um livro ou começou recentemente nesta área? Spohr: No meu blog, o Filosofia Nerd, fiz um post onde reúno uma série de opiniões de escritores, nacionais e internacionais, inclusive, os meus próprios conselhos sobre o assunto (se é que eu posso dar algum). Mas, de qualquer maneira, acho que a primeira dica é escrever sempre, nem que seja um pouquinho a cada dia. Separe uma horinha para se dedicar aos seus textos. Só treinando a gente aprimora o nosso trabalho. Com o livro pronto e escrito, é preciso fazer com que ele seja conhecido e lido. Além da tradicional busca por editoras, hoje temos muitos caminhos para a publicação, desde a produção independente até as ferramentas eletrônicas. LEIA MAIS: - Um mundo de livros e muito espaço para a cultura na feira que inicia nesta quinta   Programação Entrada gratuita Sexta-feira (11) 9h – Início das atividades no Galpão da Leitura e Teatros 8h30, 10h, 14h e 15h30 – Contação de histórias: Por 3 fios (Cia Essaé - Joinville/SC) 19h30 – Anjos e demônios, com Eduardo Spohr (RJ) – Grande Teatro 21h – Término das atividades no Galpão da Leitura e Teatros Sábado (12) 9h – Início das atividades no Galpão da Leitura e Teatros 9h30 – Contação de histórias: Viramundo - Histórias do mundo todo – Leomir Bruch 10h – Lançamento do livro Crimes em nome de Deus – Fernando Bastos 10h30 – Lançamento dos livros Teatro Catarina – 15 anos e A estrada do viajante – Jairo Maciel 11h – Lançamento do livro Liderança e Espiritualidade – Tânia R. G. Nunes (coautora) 11h30 – Lançamento do livro Como escrever ficção – Milton Maciel 13h30 – Contação de histórias: Viramundo - Histórias do mundo todo – Leomir Bruch 14h – Lançamento do livro Aforismos sobre a vida e a morte – Felipe Bryan dos Santos 14h30 – Lançamento do livro Pavão de seis cores – Lucas Haas Cordeiro 15h – Lançamento do livro O mendigo – Carlos Santhyago 15h30 – Lançamento do livro Mundos Paralelos – A Ponte – Rosana Ouriques 16h – Napo – Um menino que não existe. Cia Abração (Curitiba/PR) - Espetáculo Teatral 17h – Contação de histórias: Viramundo - Histórias do mundo todo – Leomir Bruch 18h – Sexo, estragos e videotape, com Fernanda Young (RJ) – Grande Teatro Domingo (13) 10h – Início das atividades no Galpão da Leitura e Teatros 10h30, 13h30, 15h30 e 17h30 – Contação de histórias: Viramundo - Histórias do mundo todo – Leomir Bruch 14h30 – Espetáculo Teatral 14h30 – Lançamento do livro 101 poemas do mar – Luciano Teixeira 15h – Lançamento do livro O Griot – Braulio Cordeiro 17h – Espetáculo teatral – O Patinho Feio – Grupo Gats 18h – Término das atividades no Galpão da Leitura e Teatros