O verde-amarelo da Bandeira do Brasil invade as ruas nesta sexta-feira (7), com muita propriedade. E não é para menos. Há 196 anos, nesta mesma data, o país se tornava independente de Portugal e desde então, a data é motivo de comemoração e orgulho para os brasileiros.

Pelas ruas de todo o país, as homenagens, atos, desfiles e eventos cívicos marcam a data e, para o professor de história do ensino médio do Senai Jaraguá do Sul, Evandro Carlos Vegini, é de extrema importância lembrar a data na qual houve o corte da relação entre o Brasil colônia e Portugal, fazendo assim, um país livre.

Apesar disso, o professor chama a atenção para algumas reflexões que são tão importantes quanto a comemoração. Ele ressalta que a independência obtida em 1822 foi unicamente política, uma vez que economicamente o Brasil continua sendo, até hoje, dependente de outros países quando o assunto é economia, enfatiza Vegini.

Para o professor, é fundamental que a data promova reflexões e que consiga potencializar o senso crítico dos brasileiros com relação às questões políticas do país.

Ele lembra que, à época da independência, a maior parte da população brasileira era escrava e, para ressaltar que a liberdade conquistada naquele 7 de setembro, foi unicamente política e segmentada a uma classe.

“A maioria do povo à época era escravo e não teve essa liberdade, continuaram sendo escravos. Então, tivemos uma minoria favorecida, assim como é hoje. As leis não têm o mesmo peso, porque contraditoriamente, na verdade as pessoas não são iguais perante a lei, como ela própria afirma. Essa independência favoreceu uma classe, os latifundiários, donos de terras, não foi uma independência para todo o povo brasileiro”, explica.

O professor afirma ainda que, como a independência no Brasil foi “negociada” e menos traumática como a de países como os Estados Unidos, por exemplo, a população acaba não tendo como fator importante na construção social e até mesmo política.

Vegini ressalta também que a data ainda mais importante em um ano de mudanças políticas e que determinam o presente e o futuro do país. Por isso, enfatiza o professor, é fundamental pensar a comemoração, mas também enxergar as implicações que a participação de cada um tem na construção do país.

“É muito importante, especialmente neste ano, que as pessoas compreendam a sua importância, especialmente em relação às mudanças que elas desejam, mas que precisam cobrar, participar. Essa independência está diretamente relacionada à cobrança que nós mesmos devemos fazer para que os direitos sejam para a maioria”, aponta.

“É preciso ser politicamente participativo, ser ativo e a atividade está na participação”, finaliza.

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