Quem tem uma criança em Joinville sabe, não está fácil conseguir atendimento de urgência e emergência pelo Sistema Único de Saúde para os pequenos. Com a greve dos servidores da prefeitura, que compromete o atendimento médico dos PAs (Pronto Atendimento), a solução de muitos pais tem sido o Hospital Infantil Dr. Jesser Amarante Faria. Mas a situação pode ficar ainda mais complicada. Isto porque os cerca de 200 médicos da unidade estão com os salários atrasados desde novembro, e nesta semana, entraram em estado de greve. A categoria ameaça entrar em greve e suspender parcialmente o atendimento à população, caso a situação não seja solucionada. O atraso nos pagamentos dos médicos seria uma consequência da falta de repasses financeiros da Secretaria do Estado da Saúde à OS (Organização Social) Hospital Nossa Senhora das Graças, que administra o Hospital Infantil. A unidade é pública e mantida pelo governo do Estado. Segundo a OS informou ao Jornal de Joinville, a dívida do governo do Estado com a instituição já chega a R$8,1 milhões, decorrentes da falta de repasse de total do mês de novembro, e parcialmente o de outubro. Sem dinheiro em caixa, a administradora do Infantil conseguiu apenas honrar os salários dos funcionários. Os médicos, que são contratados como pessoa jurídica, ficaram sem receber os vencimentos de novembro, que deveria ser pago no dia 15 de dezembro. O medo da categoria é que o governo do Estado siga atrasando a liberação dos recursos. Um novo, referente ao mês de dezembro, no valor de R$ 7,3 milhões, deve ser pago até o dia 30. A aflição dos funcionários é que, mais uma vez, o Estado não honre com os compromissos. Hoje o Hospital Infantil presta mensalmente mais de 11 mil atendimentos, à crianças e adolescentes de toda a região Norte de Santa Catarina. A mesma situação é enfrentada por algumas OS mantenedoras de outras unidades de saúde do Governo do Estado, em Santa Catarina. O Jornal de Joinville tentou contato com a Secretaria do Estado da Saúde para buscar um posicionamento sobre a questão do atraso nos repasses ao Hospital Infantil de Joinville, mas até o fechamento da reportagem não obteve retorno.