Quando a professora Cristiane Liebl Palhoni, 45 anos, começou a atuar como professora, o universo da educação era muito diferente. Em 1995, as salas de aula eram equipadas apenas com o quadro negro onde se passava o conteúdo à giz, e a fonte de pesquisa eram os livros que estavam ao alcance.

“Quando eu comecei era muito precário a questão de tecnologia, existia a biblioteca para fazer trabalhos e consultas. O que percebi foi uma evolução muito grande, e isso facilita tanto o meu trabalho como professora, quanto para o aluno”, comenta.

Hoje, o ensino de ciências para os estudantes do 5º ao 9º ano da escola municipal Loteamento Amizade ganha recursos inimagináveis para a então jovem professora que iniciava a carreira - o que exigiu uma evolução constante para estar no passo a passo com as crianças que chegam dominando cada vez mais os recursos digitais.

Professora Cristiane atua desde 1995 e viu as mudanças na sala de aula | Foto Natália Trentini/OCP News

“É ensino e aprendizagem, sempre correndo atrás, fazendo cursos para acompanhar esse ritmo do aluno, que já mudou. Se for comparar lá atrás, quando eu comecei, era retroprojetor, hoje em dia a gente tem projetor multimídias, computador nas escolas, teve um avanço”, reflete.

Conteúdo digital para o mundo real

Mas não é apenas para quem começou na profissão há tantos anos que existe o desafio de lidar com o avanço da tecnologia. Fernanda Maria Cardoso, 48 anos, acabou de sair da faculdade de pedagogia e reflete sobre a importância de buscar mais conhecimento para conseguir atender a essa realidade.

Atuando na escola municipal Helmuth Guilherme Duwe desde março deste ano, a professora comenta que o curso superior trouxe a base teórica e direcionamentos, mas a prática de lidar com tantas ferramentas disponíveis para o ensino se constrói no dia a dia.

“A rede municipal provê para as escolas o Chrome Book, um computador para cada professor, cursos para incentivar, e a gente mesmo como profissional tem que buscar uma aula que conquiste os alunos”, diz. “Eu preciso oferecer algo que vai chamar a atenção e hoje a tecnologia, a gamificação no ensino, é uma aliada muito poderosa para que a gente possa dar uma aula de qualidade.”

Fernanda começou a dar aula já inserida no universo digital | Foto Natália Trentini/OCP News

Cristiane reforça que as crianças são habilidosas com computadores e smartphones, mas muitas vezes não sabem como utilizar essas ferramentas para aprender. O professor transforma essa informação digital em conhecimento que pode ser aplicado na vida.

“Não tinha nada no começo e hoje nós temos muito, então o grande desafio é saber como lidar com isso tudo e motivar o aluno”, complementa Cristiane. “Os alunos se sentem mais motivados quando você usa a tecnologia”.

Segundo Fernanda, é nítido como os alunos respondem a estímulos que envolvem jogos, criatividade, pesquisas na internet, algo que vá além de passar conteúdos.

Anos na missão de ensinar

Cristiane se tornou professora após uma oportunidade de trabalho aos 18 anos e se apaixonou pela atividade. “Fui para a sala de aula com receio, mas eu acabei gostando muito”, relembra.

Trabalhou com ensino médio, educação de jovens e adultos e hoje se dedica a introduzir as crianças ao universo das ciências - uma área que se reinventa e evolui muito, assim como a própria educação.

A professora conta que sempre gostou de tecnologia e esteve sempre nos cursos e projetos oferecidos pela rede. Muitas vezes o empecilho é encontrar tempo hábil para inserir todas essas mudanças na rotina de sala de aula.

Cristiane percebe que o professor apresentar a tecnologia como ferramenta de aprendizado | Foto Natália Trentini/OCP News

Acompanhar os avanços e transformações humanas é tarefa que acaba trazendo muitos desafios na hora do planejamento, pois exige do professor dinâmica e versatilidade.

“Tem muitos momentos de desmotivação, mas em outros você percebe que valeu a pena estar na sala de aula, preparar uma aula.”

A professora Cristiane comenta que todos esses anos na área e tantas mudanças no exercício da profissão valem a pena ao ser visto o resultado na vida de cada aluno.

“O que me motiva é perceber o brilho nos olhos das crianças quando eles aprendem alguma coisa, quando eles gostam de algum conteúdo, quando eles gostam daquele objeto de conhecimento. É ver os ex-alunos aí fora, formados, felizes, fazendo o que eles gostam”, revela.

Entusiasmo de iniciar na área

Essa experiência de perceber o valor do trabalho como professora está começando a ser vivida por Fernanda - que sonhava em lecionar para crianças, mas pode realizar esse anseio somente esse ano.

Ela chega na sala de aula com a energia e o entusiasmo de uma nova geração de professores. “É uma vitória pessoal”, comenta. “Depois que meus filhos cresceram eu fui atrás do meu sonho”, conta.

Professores precisam ser dinâmicos para alcançar nova geração | Foto Natália Trentini/OCP News

Diante da turma ávida, Fernanda percebe o desafio de preparar aulas que cheguem até os alunos, que façam as crianças gostarem de ir para a escola.

A professora toca violão, utilizando a música, aprendeu a editar vídeos, busca jogos educativos na tentativa de encontrar maneiras diferentes de levar o mesmo conteúdo.

“Se eu tenho essas ferramentas, eu vou usar todas elas para chegar ao meu aluno, então eu vi que eu tinha que aprender mais”, comenta. “Eu gosto de aprender, eu gosto de ensinar, eu tenho paixão por isso, então estou no melhor lugar.”

Futura geração

Para as duas professoras, a evolução que a educação leva para a vida das pessoas é o que as faz acreditar na importância da profissão.

Para gostar de ensinar, resume Fernanda, é preciso gostar de aprender - o que não se aplica apenas ao conteúdo, a uma base curricular. A professora ressalta que a escola vai além da matemática ou língua portuguesa.

“Eles serão a futura geração, políticos, administradores, eles são a sociedade do amanhã. A gente tem que prepará-los não só para fazer uma prova, mas prepará-los para a vida”, diz. “Aprender o tempo todo, a escola é o lugar de aprender.”

Alunos se conectam com conteúdo através de jogos | Foto Natália Trentini/OCP News

Cristiane complementa que essa atmosfera da educação se tornar lugar não só para o aluno aprender, mas também para os professores, entendo a individualidade do pensamento de cada criança e adolescente que passa por uma sala de aula.

“Eu sempre tenho essa frase comigo: ‘A mente que se abre a uma nova ideia jamais voltará ao seu tamanho original’, é do Albert Einstein”, pontua Cristiane. “De como era quando eu comecei para hoje, é isso, você tem que estar sempre se capacitando, estudando, lendo, ouvindo e aprendendo com os alunos também", conclui.

 

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