Crianças com inteligência acima da média têm a capacidade de aprender sozinhas, não necessitam de muita explicação, chamam a atenção pela capacidade no raciocínio rápido e pelo foco que mantêm na área de interesse. A afirmação é da pedagoga e gerente de Educação Especial da Prefeitura de Jaraguá do Sul, Vanderléia Spezia.

"São crianças que apresentam prazer no que fazem, seja na área linguística, lógica, matemática, cinestésica - que é a facilidade de conexão e coordenação da mente com o corpo, permitindo controle e precisão sobre ele, como força, coordenação, equilíbrio, velocidade, flexibilidade -, entre outras", explica a profissional.

Vanderléia observa que, diante desse interesse, a criança permanece por muito tempo envolvida e realizando atividades das quais gosta, deixando alguns pais radiantes, porém, apreensivos, pois observam, desde muito cedo, que seu filho apresenta facilidade em determinados temas, sem que nunca alguém tenha lhe ensinado, não sabendo como lidar com tal situação.

"Ao perceber que seu filho se destaca em alguma área, os pais devem procurar a ajuda de um especialista (pedagogo, psicólogo), para que este invista em estratégias que estimulem suas paixões, que possam compartilhar suas descobertas e realizações e orientem a família em como estimular seu filho. Desta forma, a criança se sentirá ainda mais atraída pelo tema, estimulando sua criatividade e reforçando o aprendizado", orienta a pedagoga.

Estímulo ao aprendizado

Ainda de acordo com Vanderléia, crianças com habilidades acima da média no ambiente educacional devem ter apoio do Atendimento Educacional Especializado (AEE), para contribuir com a suplementação do currículo, evitando que o ensino se torne desestimulante e que possam, neste atendimento, aprimorar ainda mais a sua habilidade.

É o caso de Luís Antônio Hippler da Luz, aluno da Escola Municipal de Educação Básica Marcos Verbinnen, no Bairro Estrada Nova, que no contraturno das aulas recebe atendimento especializado. Hoje com 14 anos, frequentando o nono ano, o adolescente, que aprendeu a ler aos quatro anos, conta que desde muito pequeno foi incentivado pelos pais, ambos professores, a ter gosto pela leitura, tanto que já chegou a ler 60 livros em um período de 12 meses. Entre os seus preferidos estão os livros de Filosofia e Ciências Naturais.

Luís Antônio aprendeu a ler com apenas quatro anos | Foto: Fábio Junkes

Sua disciplina favorita em sala de aula é História. "A história facilita nossa compreensão sobre o presente e o futuro", declara.

No ano que vem, Luís inicia o curso de Técnico em Química no Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC), mas seus planos para o futuro incluem fazer as faculdades de História e Medicina, com especialização em Cirurgia.

Quando não está lendo ou estudando, o adolescente de semblante calmo gosta de ouvir música e caminhar. A diretora da escola, Márcia Juceli Pietrowski Bobrowicz, destaca que Luís, que estuda na Marcos Verbinnen desde o ensino infantil, é um aluno muito querido e também bastante ativo no Grêmio Estudantil.

Dez anos de idade e mais de 50 títulos no Xadrez

Caio Mohr Watzko, aluno do 5° ano do Colégio Aprendiz, é um exemplo de criança com talento especial. Com apenas dez anos de idade, já conquistou mais de 50 títulos no Xadrez, com destaque para o de campeão Sul-Brasileiro Escolar no Ritmo Rápido e vice-campeão no Ritmo Blitz.

A mãe do menino, Kandine Watzko, conta que o interesse pela modalidade surgiu quando ele tinha apenas cinco anos e começou a fazer aulas na Escola Aprendiz, com a professora Karina Kanzler Ferreira, do Clube de Xadrez. "O Caio tem uma excelente capacidade de raciocínio. Tem raciocínio lógico e rápido. Na escola, vai muito bem, aprende com facilidade e tem boas notas. Ele é muito responsável e estudioso", afirma.

Caio começou a jogar Xadrez com cinco anos e hoje acumula mais de 50 títulos | Foto: Divulgação

Caio, que já participou de competição até em Natal (RN), conta que quando ganha uma medalha ou troféu sempre mostra para os seus avós e outros familiares.

Talento que passa de pai para filho

Filhos de um violinista e uma violoncelista, Isabela, 11 anos, e Mateus, de oito, seguiram os passos dos pais. Os dois fazem aula de violino com a professora Adriane Fischer, na Casa da Música, e Mateus também estuda piano com a professora Vera Lucia Ferruzi, na Scar.

Ambos estudam no Colégio Marista - Isabela no 6º ano e Mateus no 2º ano. A mãe dos dois, Esther, conta que Anand, o pai deles, toca violino em eventos e orquestras. "Junto com o violinista e maestro Maicon Rocha, ele formou o grupo Audium, bastante conhecido aqui em Jaraguá. Eu sou violoncelista, mas, no momento, não estou participando de nenhum grupo", diz.

Isabela iniciou os estudos de violino com quatro anos | Foto: Divulgação

 

Mateus, de oito anos, possui talento nato para o piano | Foto: Divulgação

"Por conta de nosso amor pela música, incentivamos os pequenos a tocar violino desde cedo. Porém, um dia notamos que o Mateus gostava muito de tocar no piano digital que mantínhamos na sala. Foi o próprio Mateus que pediu para fazer aulas. Veio a pandemia e ele teve que parar, porém, continuou estudando sozinho pelo método que havia aprendido, depois passou para outro método e para outro... ele é um autodidata mesmo", diz Esther.

Já Isabela começou a estudar violino aos 4 anos, utilizando o mesmo violino pequenininho com o qual o pai dela iniciou os estudos dele, aos 3 anos, em Santa Maria (RS).

"Hoje, além de se apresentar nos recitais da Casa da Música, faz apresentações em família e demonstra interesse em participar de orquestras futuramente, seguindo o exemplo de seu pai, que ela assistiu tantas vezes tocando com a Filarmônica da Scar", conta a mãe. "Quando os pais entendem sobre o instrumento que o filho estuda, acaba que essa criança se desenvolve melhor e com mais consciência e disciplina. Os pais viram o braço direito do professor. Além de todo o incentivo extra, claro, levando para assistir bons concertos desde cedo, colocar música de qualidade em casa, tocar em família", finaliza Esther.