Tombado pelo patrimônio histórico municipal e com 110 anos de existência, o pilar que sustentou a antiga Ponte Abdon Batista por vários anos terá nova utilidade em breve.

A Prefeitura de Jaraguá do Sul, por meio da Secretaria Municipal de Obras e Serviços Públicos, definiu, por meio de concorrência pública, a empresa que fará a construção da ponte. A abertura dos envelopes com as propostas das empresas interessadas em construir no local a ponte estaiada, destinada à passagem de pedestres e ciclistas, aconteceu no dia 17 deste mês.

A empresa Ecopontes de Presidente Prudente (SP), apresentou a menor proposta, que foi de R$ 9.090.570,30, ou seja, de R$ 1.664.546,33 menos que o valor de referência do Edital, que era de R$ 10.755116,63. As obras devem iniciar nas próximas semanas.

A ponte em estrutura metálica estaiada, com largura de quatro metros e comprimento de 70 metros ligará a Rua Hugo Braun, no Centro, com a Max Wilhelm, Vila Baependi. Não haverá necessidade de indenizações, já que o acesso do Centro se dará pela rua, em frente ao Hotel Kairós, e, na outra margem do rio há uma área pública.

Para o prefeito Antídio Aleixo Lunelli, além de servir de uma ótima alternativa de ligação entre os dois bairros para os pedestres e ciclistas, a pode servirá para as pessoas contemplarem a beleza natural daquela região. “É um dos trechos mais bonitos do Rio Itapocu, na região central, e ainda tem o visual de frente para o Boa Vista. Além disso, estamos preservando uma importante estrutura histórica do nosso município, que é o pilar da antiga Ponte Abdon Batista, um marco no desenvolvimento de Jaraguá do Sul”, disse ele.

O uso da balsa era o principal meio para atravessar o Rio Itapocu no início dos anos 1900. A travessia era necessária para escoar a produção agrícola, a passagem era essencial para que os produtos chegassem aos grandes centros. O ponto de chegada na margem esquerda do rio era um trapiche construído ao lado do comércio de Jorge Czerniewicz, conhecido como porto Czerniewicz. Jaraguá do Sul possuía cerca de oito mil habitantes nesta época. Uma pequena ponte foi construída, mas, em 1911, uma enchente levou a estrutura, por estar a apenas um metro do nível do rio.

Divulgação/PMJS

Logo depois, em 1913, foi inaugurada uma nova passagem. Uma estrutura de ponte metálica, que estava sendo transportada de navio da Inglaterra para a África do Sul, acabou atracando no Brasil, em Florianópolis, onde a estrutura foi descarregada. O deputado estadual Abdon Batista interviu para que essa estrutura permanecesse no Brasil e fosse destinada para a Colônia Jaraguá. A ponte tinha piso de madeira e, em 1925, chegou a ganhar uma cobertura de zinco e foi utilizada por cerca de 50 anos, quando se percebeu a necessidade de construir um acesso mais adequado para atender o crescimento do município.

Da estrutura antiga, permaneceu apenas o pilar no meio do rio, tombado por meio de um decreto municipal (9.035/12) de 17 de dezembro de 2012. A utilização do pilar na nova ponte será uma maneira de preservar este patrimônio, dando o cuidado no entorno e fazendo com que ele seja visto e ainda mais valorizado.