Completar 70 anos de união matrimonial é um recorde e tanto nos dias de hoje. Acredite, essa façanha foi alcançada por Lili Leonora Kutzki, 85 anos, e Adolfo Kutzki, 89 anos, que no último domingo (26) comemoraram as sete décadas de enlace cercados por parte dos 12 filhos (dois já falecidos), 18 netos e 14 bisnetos. A festa com direito a bolo, reencontros e muita emoção, repercutiu na Rua Luís Sarti, no bairro Nereu Ramos, onde residem há 34 anos. Católicos fervorosos, eles receberam as bênçãos pelas Bodas de Vinho do pároco da igreja Nossa Senhora do Rosário, Maurício Weber. A religiosidade sempre presente na vida da família é constatada pelo número de imagens sacras que adornam a sala de estar e servem de suporte para ambos. “Eu já sabia da festa desde a quarta-feira (22), mas não contei para ela”, conta Adolfo, sorrindo. “Foi uma surpresa, uma alegria”, reconhece Leonora, que aniversariou dia 18 e na ocasião não entendeu por que a data aparentemente passou em branco. “Eles preferiram esperar para comemorar os 70 anos”, diz, com sorriso no olhar. O marido Adolfo, que apesar da dificuldade de audição e de locomoção, demonstra ótima memória, lembra que ao completarem 50 anos de casamento, nas Bodas de Ouro, os dois voltaram a casar em cerimônia celebrada pelo falecido padre Aloísio Boeing, que passa pelo processo de beatificação. Mesmo com a fragilidade natural causada pela idade, Leonora mantém a placa “Leonora Massagista” na fachada da casa, atividade que passou a desenvolver há 10 anos. É para ela que correm as pessoas com queixas de dores na coluna e traumas ortopédicos, seja por acidente ou pela prática desportiva. “Não consigo ver ninguém sofrer, tenho que ajudar. Vem gente de longe, até do Mato Grosso. Atendo e saem caminhando. Já tirei a dor de alguns”, conta ela, que é reconhecida na comunidade pela generosidade. “Não cobro nada, dão o que podem. Até com um quilo de arroz, fico contente”, diz, com simplicidade. O marido concorda: “É bom ajudar as pessoas, sempre que se pode”. Antes de ser massagista, durante décadas enfrentou a dura vida da roça, paralelamente à criação dos filhos. Uma das filhas do casal, Ivanir Kutzki Stenger, 58 anos, que mora na casa ao lado, atesta a dedicação da mãe. “Ela sempre ajuda quem precisa, é boa de coração, e eles ‘toda a vida’ foram muito unidos”. Caminhada começou em terra gaúcha Gaúchos de nascimento, Lili Leonora nasceu em Erechim e Adolfo, em Marcelino Ramos. Tímidos, revelam que se conheceram na igreja luterana da cidade natal dele, onde se casaram. “A gente morava pertinho”, observa Leonora. Anos depois, foram viver no Paraná e, nas últimas três décadas, se mudaram para Jaraguá do Sul. Nessas andanças, se converteram ao catolicismo. E qual é a receita para manter a harmonia do casamento por tanto tempo? Ele não sabem dizer qual é a fórmula, mas as expressões de amor e cumplicidade falam por eles. “Conseguimos manter por todo esse tempo. Tantos anos juntos, tem que gostar. Nunca discutimos. Às vezes sai uma implicância, uma cara feia, mas estamos sempre unidos”, garante ela. “Um cuida do outro”, sintetiza Adolfo.