A jornalista e repórter do OCP, Ana Paula Gonçalves, aceitou o desafio de acumular em seu apartamento por uma semana os resíduos recicláveis da família para a produção desta reportagem. Agora, ela conta o que aprendeu sobre compostagem para um destino mais correto dos resíduos orgânicos. Acompanhe: O resíduo produzido pela minha família dobra de tamanho quando a parte orgânica passa a ser computada. Por dia, pelo menos três quilos de lixo são produzidos – cascas de frutas e verduras, erva-mate, restos de comida e a areia do “banheiro” dos dois gatos. Esse resíduo também é descartado separadamente. Em busca de uma solução para os orgânicos, mesmo para quem mora em apartamento, o educador ambiental e permacultor urbano, Marcus Vinicius Bona Negri, 32 anos, promove cursos e oficinas sobre compostagem.
Ele explica que, ao utilizar o resíduo orgânico como adubação, a matéria orgânica perde a característica de lixo. “A gente para de pensar que aquilo é lixo e passa a pensar que vai servir para alguma coisa, que tem uma finalidade, e vai ser útil para hortas, plantas, flores e outros cultivos”, ressalta.
Na composteira, utiliza-se a matéria orgânica e as minhocas. Na chamada composteira de apartamento (que também serve para casas onde não há um espaço maior para reunir os resíduos), é preciso dosar alguns cítricos, por causa da acidez, assim como o café e a erva-mate. Podem ser colocadas as podas do jardim e da grama, resíduos de frutas e verduras, cascas de ovo e restos de comida que não foi cozida e sem sal, já que o produto retira a umidade necessária para a minhoca. Para a composteira de apartamento, são necessários três potes plásticos que se encaixam, que não sejam transparentes. O último pote da pilha é destinado ao chorume. No do meio as minhocas colocam seus ovos e sobem ao primeiro pote para se alimentar com a matéria fresca. O chorume vira biofertilizante na proporção de dez para um (dez partes de água para uma de biofertilizante). “O controle da umidade é importante também para a composteira não dar cheiro. Para esse controle, são necessárias uma parte de matéria orgânica fresca para duas a três partes de matéria orgânica seca (corte de grama que já secou, serragem, entre outras)”, explica. Além disso, o ideal é que a composteira esteja à sombra: a minhoca não gosta de calor. No verão, leva aproximadamente dois a três meses para o processo ser concluído e o material virar terra. No inverno, em quatro a seis meses o composto fica pronto.
Controle da umidade é importante também para a composteira não dar cheiro | Foto Eduardo Montecino/OCP
Negri está há três meses em Jaraguá do Sul e atuou por oito anos com agricultura urbana em escolas municipais e estaduais no Rio Grande do Sul, pelo Programa Mais Educação, construindo hortas junto aos alunos. Duas oficinas sobre o tema estão agendadas: dia 25 de novembro será sobre canteiros com policultura e irrigação e dia 2 de dezembro sobre compostagem urbana. Informações pelo celular ou Whatsapp (48) 98831-5622. LEIA MAIS: - De quem é esse lixo? Jaraguá do Sul produz 91 toneladas por dia