A organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), que agrupa 35 países — a maioria do bloco de países desenvolvidos —, divulgou um alerta para o recrudescimento do “risco político” no Brasil e coloca a aprovação de reformas estruturais como condição para a recuperação econômica do país. Segundo o relatório de perspectivas econômicas divulgado ontem pela organização, o PIB brasileiro deverá registrar um crescimento de 0,7% este ano e de 1,6% em 2018. As previsões subentendem, no entanto, um quadro político estável. O órgão não fala em pessoas, mas sim na necessidade das reformas planejadas saírem do papel. “Se nenhuma das reformas propostas for implementada, a nossa projeção de crescimento do PIB seria menor. Esta previsão considera que pelo menos parte destas reformas serão aplicadas no país”, diz o comunicado. A entidade ressalta que a inflação está baixando, os juros vão continuar descendo, e que a recessão caminha para o fim. “É importante também o esforço que o Brasil está fazendo para melhorar as contas fiscais a longo prazo, com a PEC do teto de gastos públicos, a proposta da reforma da Previdência, e também algumas reformas estruturais, como do mercado de trabalho. Mas neste momento ninguém sabe o que vai acontecer, e é importante seguir com este processo”, diz ainda. O recado central é que o Brasil precisa pensar no desenvolvimento dos mercados de crédito a longo prazo, no qual há muito pouca participação do setor privado, e isso tem a ver com o nefasto papel do setor público nesta área. Outra coisa que deve ser feita é uma reforma tributária, pois o Brasil tem um sistema de impostos indiretos que é ineficiente e provoca muito custo. O Brasil precisa saber aonde quer chegar.