O pastor Rudi Sano, da Igreja Batista Vida Nova, de Guaramirim, no Norte de Santa Catarina, está sem saber quando vai voltar para casa.

A viagem voluntária ao país insular africano São Tomé e Príncipe deveria ter terminado no fim de março, mas a ameaça da pandemia de coronavírus fez as fronteiras serem fechadas.

“Não existe voo que saia da ilha. Nós teríamos que sair da ilha, ir para a Angola e Angola-Brasil”, explica Rudi.

“Já procuramos a embaixada, não recebemos nenhum retorno positivo. Não estamos recebendo nenhuma ajuda. Já falamos com o Itamaraty e não recebemos nenhuma resposta positiva. De muitos lugares da África existem brasileiros sendo repatriados, mas a gente não está conseguindo isso daqui da ilha”.

Projeto faz construções em comunidades carentes. Fotos: Arquivo Pessoal

O pastor e Wesley Rocha Tenório, de São Paulo, líder do projeto Rebuild - que coordenou os projetos que estavam sendo realizados na ilha - estão ansiosos para voltar para a casa.

“Isso para nós tem sido uma dificuldade porque a nossa manutenção, o custo para a gente ficar aqui, a gente pensou em um mês e esse prazo está se prolongando sem que a gente tenha nenhuma previsão de saída”, diz Rudi, contando que os dois têm sido acolhidos por locais.

O pastor destaca a saudade da família e vontade de retomar a rotina. A imprevisibilidade da situação preocupa.

Até segunda-feira, a ilha não tinha registrado casos do Covid-19, mas agora houve confirmações. “Acredito que eles vão segurar ainda mais as fronteiras aeroportuárias”, considera.

Trabalhos foram finalizados, mas retorno não foi possível com fechamento das fronteiras

O pastor espera por respostas da embaixada local, seja sobre uma possibilidade de retorno ao Brasil ou suporte que para que possam se manter com mais tranquilidade no país.

A reportagem entrou em contato com o Itamaraty e com a Embaixada de São Tomé e Príncipe, mas não obteve retorno até a publicação.

Voluntariado em comunidades carentes

O pastor Rudi Sano coordena diversos projetos sociais em Guaramirim, como o Centro de Apoio a Refugiados e Imigrantes, e também atua como voluntário no projeto Rebuild.

Projeto viaja Brasil e mundo realizando ações voluntárias

A viagem estava agendada para acontecer ao longo do mês de março, período em que eles reativaram um campo onde uma escolinha de futebol que acolhe crianças carentes no distrito de Mé-zochi, na principal ilha do país, chamada São Tomé, e ainda construíram um quarto com rampa de acesso para um jovem cadeirante.

Construção de quarto e rampa de acesso para jovem cadeirante foi uma das tarefas

O pastor cita que o projeto já atuou em 20 países do mundo - no ano passado estiveram em Moçambique, após passagem de um ciclone - e também no Brasil - com atuação após o desastre de Brumadinho.

Pelo projeto, eles arrecadam recursos para as obras e para ir até o destino no período estimado para o trabalho acontecer. No país, há suporte de outras duas organizações: a Jovens Com Uma Missão (JOCUM) e Mocidade Para Cristo (MPC).

 

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