Uma novela que parece estar longe do fim terá um novo capítulo na noite da próxima segunda-feira (12), no bairro Imigrantes, em Guaramirim.

A audiência pública que irá discutir alternativas para o impasse da chamada Ponte Zanotti ocorre a partir das 19h30, na Escola Iaro Eugênio Hansch, e os moradores do bairro têm uma posição bastante clara a respeito da possível construção da ponte: são contrários.

O impasse se arrasta há pelo menos 25 anos. Em 2016, a diretoria executiva da Amvali (Associação dos Municípios do Vale do Itapocu) realizou um projeto para a construção da nova ponte com a expectativa de levantar recursos federais, girando em torno de R$ 1,8 milhões.

Os recursos não vieram e a obra não saiu do papel. Assim, a estrutura que já está interditada para o trânsito de veículos há mais de duas décadas, segue precária e servindo apenas para passagem de motociclistas, ciclistas e pedestres, ainda assim, sem segurança.

O Ministério Público, representado pelo promotor Alexandre Schmitt dos Santos, cobra uma solução segura para a estrutura, que está comprometida.

Segundo a diretora executiva da Amvali, Juliana Demarchi, a intenção da audiência pública, que deve reunir MP, Amvali, Avevi (Associação de Câmaras de Vereadores do Vale do Itapocu) e moradores, é justamente ouvir a comunidade para então pensar em alternativas que atendam às demandas reais da população dos dois municípios, uma vez que a ponte é intermunicipal.

“Precisamos fazer essa audiência para então descobrir quais são as alternativas e entender o porquê o pessoal não quer a construção da ponte. A princípio, falam que haverá muito trânsito, riscos de acidente e movimentação na região", comenta.

"Não queremos fazer uma ponte que acabe sendo um problema. Queremos escutar o que eles desejam para então tentar adaptar o projeto”.

Estudo de tráfego

Para o diretor do Instituto Jourdan, Luis Fernando Marcolla, a primeira ação que deve ser tomada é a realização de um estudo de tráfego atualizado capaz de subsidiar qualquer decisão a respeito da ponte. Marcolla admite que construir a ponte é “dividir o problema e jogar no mesmo lugar”.

“Eu não posso te afirmar que a melhor solução é fazer a ponte no lugar em que estava porque todo o trânsito que entrar por essa ponte vai cair no mesmo lugar, que é a BR-280, sem uma saída. Do ponto de vista da mobilidade urbana, não me parece a melhor solução”, diz.

O diretor ressalta que o impasse já se arrasta há pelo menos 25 anos e em mais de duas décadas, segundo ele, nenhuma decisão com base técnica foi tomada.

“Os dados é que vão apontar a melhor solução. Nunca fizeram um estudo para dizer qual a melhor solução e quando não há uma decisão técnica clara, fica esse jogo de empurra”, analisa.

Marcolla afirma ainda que três possibilidades foram levantadas: manter e construir no mesmo lugar, construir do lado oposto do trilho ou utilizar recursos para a duplicação da BR-280, entre Guaramirim e Jaraguá do Sul - essa obra teve preço de execução fixado em R$ 85,8 milhões quando foi licitada pelo governo do Estado em 2014.

 

Contrários à construção da ponte

Do quintal da casa da aposentada Lourdes Altini, 71 anos, é possível acompanhar o movimento de pedestres, ciclistas e motociclistas que atravessam a ponte todos os dias.

Moradora do mesmo local há 47 anos, ela afirma que o impasse é resultado de “falta de visão, preguiça e falta de investimento”.

Ela é favorável a construção, mas garante que a população não quer a ponte construída ali.

“Eu quero progresso, quero a ponte, mas o bairro fez um abaixo assinado e não quer porque não tem saída, vai tudo terminar na rodovia e o trânsito aqui vai ficar insuportável, eles dizem”, conta.

Além de considerar a atual estrutura insegura, a aposentada afirma que o local também é ponto de consumo de drogas.

Nascido e criado na mesma rua da ponte, o aposentado Carlos Alberto Martins é contrário a construção. Para ele, o ideal é viabilizar uma nova passarela para permitir apenas a passagem de pedestres, ciclistas e motociclistas.

O presidente da Avevi, Lourival Charles Longhi, afirma que estará na audiência pública defendendo a mesma posição dos moradores, que são contrários à obra por considerarem as ruas estreitas e sem estrutura para comportar o grande fluxo de veículos.

“E tem outro problema, esse trânsito vai sair aonde? Porque quando for acessar a BR-280, vai engarrafar tudo de novo. A proposta é para construir a segunda ponte do portal e viabilizar a duplicação do trecho urbano da BR-280. Isso seria a solução”, afirma.

Já Luis Fernando Marcolla, diretor do Instituto Jourdan, afirma que “fazer só para pedestre e ciclista é desperdício do dinheiro público”.

 

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