Quem vê o jovem Marco Antônio, de 17 anos, discursar no plenário da Câmara dos Vereadores não imagina as limitações que ele enfrenta.

Nascido com autismo, Marco é uma daquelas pessoas únicas que, transpondo as limitações, está disposta a conquistar espaço na sociedade conscientizando a população e promovendo a inclusão social.

O jovem, que já morou em Joinville e hoje reside em Araquari, luta para tirar do papel um sonho: a criação da Associação de Pais Apoiadores dos Autistas (APAA) para crianças autistas e suas famílias.

A mãe Joseane Alves, 37, explica que a ideia surgiu do sentimento de necessidade que Marco teve ao chegar em Araquari e notar que não havia nenhuma instituição que prestava apoio às pessoas com essa limitação.

"Nós morávamos antes em Joinville, só que na cidade não tinha atendimento para essas pessoas. Daí nós nos mudamos para o Rio Grande do Sul e lá ele teve contato com diversas entidades que prestavam suporte ao autismo. Chegando em Araquari, ele percebeu que tinham várias crianças com a doença e que não tinha atendimento. Ele então bolou a ideia de fazer visitas na casa dessas crianças, conversar com as mães e fazer a associação", lembra a mãe de Marco.

Segundo Joseane, a associação só não está em funcionamento ainda devido à burocracia. "Precisamos de um local para atendimento e até hoje a prefeitura não disponibilizou este lugar", conta.

Foto: Divulgação/Arquivo Pessoal

Quando chegou à cidade, o jovem foi de porta em porta para saber quais eram as famílias em que tinham crianças com o autismo. De acordo com a prefeitura, são 40, mas Marco Antônio contabilizou cerca de 100.

A ideia do jovem é fazer algo que dê apoio não só às crianças mas também aos pais. Segundo ele, a associação poderia auxiliar proporcionando emprego para os pais e cultura para as crianças.

"A maioria das mães são cuidadoras dessas crianças e as que conseguem trabalhar também ficam sobrecarregadas. Nisso a instituição poderia ajudar fornecendo além de trabalho, apoio psicológico", afirma.

Como a sociedade pode ajudar

Joseane afirma que a sociedade pode ajudar dando apoio público à ideia. Cuidados básicos como dentista, custeio com a medicação e atendimento médico também seriam bem-vindos na associação.

"Como as crianças tomam muitas medicações, os dentes dão muita cárie e muitos autistas não conseguem escovar direito. Então um dos objetivos da associação é conseguir também um dentista para atender as crianças", explica.

Foto: Divulgação/Arquivo Pessoal

Para Marco, o Estado falha na falta de fornecimento de tratamento e no auxílio à conscientização. Esse foi um dos motivos que o incentivou a pensar na associação.

"Existem inúmeras crianças que sofrem com o transtorno do autismo e muitas delas infelizmente não tem o tratamento devido que o Estado deveria fornecer. Quero ajudar não só as crianças, mas também auxiliar as famílias e os pais com ações sociais com uma equipe multidisciplinar para ajudar com o desenvolvimento. A dificuldade está no local, na divulgação e no próprio conhecimento da doença”, conta o jovem, que também tem duas irmãs portadoras da condição.

O jovem, que já discursou na Câmara dos Vereadores, pensa que os pais deveriam acreditar mais nos seus filhos. Ele acredita que, mesmo que haja muitas palestras sobre conscientização, muitas famílias julgam que os autistas são limitados.

Aumentando a confiança que os pais têm nos seus filhos, e querendo também participar, cobrando do Estado, ele garante que poderá haver uma melhora.

“As pessoas com deficiência precisam coexistir com pessoas que não tem deficiência. Quanto mais incluirmos pessoas com deficiências com outras pessoas, vamos criando laços de amizade e de consciência entre os indivíduos da sociedade. Involuntariamente, capacitamos a sociedade a fomentar a inclusão”, finaliza.

Para quem quiser ajudar na causa de Marco, o jovem mantem uma página no facebook. Quem quiser seguir, basta clicar aqui.

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