Eletrônicos podem ser os vilões ou os mocinhos

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Cotidiano

Por: OCP News Jaraguá do Sul

terça-feira, 02:17 - 06/09/2016

OCP News Jaraguá do Sul
Hoje em dia não é raro observar famílias que preferem passar o tempo de olho no celular em detrimento do convívio com os companheiros. Quando a situação em especial acontece durante um passeio ou viagem em família, a sensação é ainda pior – afinal, como manter a atenção dos filhos fora dos aparelhos quando a internet oferece um mundo de possibilidades ao toque de um dedo? Segundo as psicólogas Fabiana Riegel-Silva e Ligia Cristina Biciesto Diniz, da clínica Crescer, especializada em psicologia infantil, tudo depende da maneira como os pais lidam com o interesse dos filhos. Isso porque, se usados corretamente, os aparelhos eletrônicos podem servir de estímulo, ao invés de distração, impulsionando e enriquecendo a experiência em família. Em primeiro lugar, é preciso ter em mente de que quando se fala em eletrônicos, a palavra de ordem é equilíbrio. Conforme Fabiana, a proibição do uso é um desserviço – hoje, crianças sem acesso a estas ferramentas tendem a se sentir muito alienadas. Por isso, a regra é supervisionar e estabelecer limites para o uso. “Se os pais acompanharem o uso, saberão quais os sites e aplicativos a criança acessa, tendo mais controle sobre o que ela está fazendo, além de tornar este momento uma oportunidade de convívio em família”, explica. Outro aspecto importante é sempre buscar uma programação atrativa e que promova interação com a criança. “No geral, crianças adoram conhecer lugares novos. Então, se os pais participarem ativamente, elas aproveitarão o passeio e nem terão tempo para pensar no eletrônico. O segredo está na interação, a atenção e a disponibilidade real dos pais para com a criança. Isso será muito melhor que qualquer eletrônico”, aponta a psicóloga. Segundo Lígia, mais do que controlar, os pais podem usar a tecnologia a seu favor. Uma boa dica é incentivar a criança a buscar informações adicionais sobre o passeio, em sites ou aplicativos, de forma a aguçar o desejo por conhecimento. “Esta é uma ótima maneira de unir o útil ao agradável e mostrar para a criança a real utilidade dos eletrônicos. Assim, ela passa a ver a tecnologia com outro olhar e isto a deixará mais curiosa”, destaca ela. É o prazer da descoberta ao lado dos pais. Se mesmo assim a criança continuar a passar mais tempo no celular do que aproveitando a viagem, é necessário fazer uma análise mais profunda do que pode estar causando o problema. Conforme Lígia, crianças que já estão muito acostumadas a conviver diariamente com o aparelho sem supervisão ou atenção dos pais tendem a repetir o comportamento em outras ocasiões. “Os pais precisam avaliar se não estão terceirizando sua função ao equipamento. Em um dia ‘normal’, o ideal é que o uso da criança não passe de uma hora por dia. No caso dos passeios, o uso deveria ser no máximo 15 minutos, excluindo é claro o tempo gasto com pesquisas e fotos do passeio”, aconselha a especialista. Em casos extremos, a proibição pode ser necessária, mas o diálogo é sempre a melhor saída. “O que precisa ser feito é explicar para a criança o porquê das proibições. Se os pais simplesmente proibirem o uso e brigarem sem explicação, a criança não vai entender e tende a ficar revoltada. Agora, se houver o diálogo, a explicação da ação, a criança pode até ficar chateada, mas terá a compreensão de que os pais só querem o melhor pra ela”, destaca Fabiana. (259) Fabiana Riegel-Silva (Esquerda na foto) Psicóloga CRP 12/12228 47 9165-1192 Ligia Cristina Biciesto Diniz Psicóloga CRP 12/12229 47 9199-0236
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