Os temas tecnologia, criatividade e inovação foram discutidos, nesta quinta-feira (17), no evento Conect Ideias, realizado na sede da Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc), em Florianópolis, e com espectadores em 19 pontos de recepção em todo o Estado e na internet. A atividade celebrou o Dia do Estudante (11 de agosto) e o Dia do Estagiário (18 de agosto). O presidente da Fiesc, Glauco José Côrte, voltou a ressaltar que a educação é a preocupação prioritária da entidade. “Pesquisas revelam que os jovens estudantes estão atentos aos valores transmitidos pelas escolas brasileiras e, igualmente, à atuação docente; para os jovens, a escola deve garantir, como prioridade, uma educação de qualidade”, disse Côrte. “Os estudantes também apontam, por meio dessas pesquisas, o próprio comprometimento e comportamento nas aulas como aspectos de alta relevância”, acrescentou. “A Fiesc entende que repensar a educação não pode ser uma ação dissociada do diálogo com a juventude, que é usuária e deve ser protagonista dessa mobilização”, destacou, lembrando que o Movimento Santa Catarina pela Educação, criado pela entidade, “pensa e age em prol de uma educação para todos, entendendo os jovens como grandes protagonistas sociais”. Côrte ressalta que a ação do movimento está centrada no sentido de que os jovens aprendam não somente as disciplinas tradicionais, com conteúdo técnico atual e de qualidade, mas que também desenvolvam competências socioemocionais, que sejam criativos, colaborativos, responsáveis e abertos às inovações. “E que sejam, também, bons cidadãos”, complementa.
Para Marcos Piangers, escola, família e sociedade limitam a criatividade | Foto Mauro Campos/Divulgação/OCP
Palestrante do evento, no qual abordou o tema criatividade, o jornalista e escritor Marcos Piangers afirmou que “o adulto criativo é a criança que sobreviveu”. Seu argumento é de que desde a primeira infância os bebês vão “testando teorias, tentando entender o mundo”. São os atos de descoberta, mexendo aqui e ali. “Com o passar do tempo, a escola, a família e a sociedade vão limitando a criatividade”, lamentou. O engenheiro Rodrigo Vale, da área de educação da Google, apresentou os dez princípios de inovação da empresa em que trabalha. São conceitos como os de que as ideias vêm de qualquer lugar; ensinar para aprender; não eliminar, mas adaptar as ideias; compartilhar; dados gerenciam todas as decisões; a criatividade melhora quando há restrições de limites; liberdade para seguir suas paixões; contratar atletas e foco no usuário. Ele ressaltou, por exemplo, que cada funcionário da Google tem direito a dedicar 20% de seu tempo de trabalho a atividades de sua opção, mesmo que não sejam de responsabilidade da área em que esteja alocado. Foi nesta condição, segundo Vale, que surgiu o Google Tradutor. Outra determinação da empresa é destinar 10% dos seus investimentos em “coisas loucas e saudáveis”. O palestrante lembrou que “as grandes inovações são feitas de inovações que desafiaram o impossível”.
Mozart Ramos defende a escolaridade como sinônimo de produtividade: ele apresentou dados mostrando que cada ano de estudos aumenta renda de populações de vários países | Foto Mauro Campos/Divulgação/OCP
Consultor do Movimento Santa Catarina pela Educação e diretor do Instituto Ayrton Senna, Mozart Neves Ramos, destacou que a educação eleva a produtividade de empresas e países, repercutindo também na renda das pessoas. Segundo ele, cada de ano de estudos aumenta a renda anual dos chilenos em 3 mil dólares, dos malaios em 2,5 mil dólares, dos chineses em 3,5 mil dólares e dos sul-coreanos em 6,8 mil dólares. “Quanto maior a escolaridade, maior a produtividade e maior a riqueza gerada”, destacou o especialista. Participação no Vale do Itapocu Na região do Vale do Itapocu, cerca de 200 jovens participaram do Conect Ideias, acompanhando a transmissão no auditório da unidade do Sesi em Jaraguá do Sul. Entre os atentos espectadores, as colegas do curso de eletrotécnica Crislaine Kruczkiewicz e Morgana Lopes Pereira destacaram principalmente as dicas deixadas por Marcos Piangers. “É sempre bom ouvir pessoas com mais experiência de vida. O que ele falou sobre criatividade é importante do ponto de vista da educação, de não nos limitarmos ao que aprendemos em sala de aula e sim buscando sempre características diferentes porque o mundo muda a todo instante e precisamos estar preparadas para o mercado”, diz Crislaine, aluna do CentroWEG. Aos 17 anos, ela diz que as palestras mostraram que a formação não se dá apenas no ambiente da escola. “É claro que o conhecimento repassado pelos professores é importante, mas este aprendizado para o mundo do trabalho se dá na convivência diária com outras pessoas”, completa Morgana, também com 17 anos. João Vitor Semim, que estuda eletrotécnica, diz que o recado deixado pelos palestrantes deveria ser compartilhado com o maior numero possível de estudantes e até mesmo com os país. “A situação do nosso país é precária quando se fala em educação. Se a gente discute pode contribuir para que as coisas melhorem, porque sempre há novas ideias. É um alerta que fica para nós, jovens, que ainda estamos buscando oportunidades. Acho que quanto mais falarmos sobre o que vamos encontrar no futuro mais chance teremos de garantir uma perspectiva melhor em termos de trabalho”, afirma o jovem de 17 anos. Aluno do curso de eletrônica, Fellipe Laurindo Belles também gostou do que ouviu nas palestras porque, segundo ele, “dão uma ideia do mundo real, nos mostraram que não temos tempo a perder e que se não nos conscientizarmos de que só com uma boa educação teremos mais chances no mercado profissional a situação será sempre mais difícil”. O Conect Ideias foi promovido pela Fiesc, por meio do Movimento Santa Catarina pela Educação, Sesi, Senai e IEL. Em todas as sedes, o evento contou com participação de estudantes, docentes e representantes de empresas.   *Com informações da assessoria de imprensa