“A dependência química é uma doença e precisa ser tratada para que o paciente retorne para a sociedade sóbrio.” Essa é uma das grandes preocupações do coordenador da Comunidade Terapêutica Novo Amanhã, Mateus Mantovani da Luz.

A entidade, fundada em 1998 e localizada no Rio Cerro II, em Jaraguá do Sul, está com um projeto de ampliação previsto para acontecer até o fim do trimestre e busca auxílio financeiro. O objetivo é atender ao crescente número de dependentes químicos que procuram tratamento na microrregião.

O coordenador Mateus e a presidente Maria Célia pedem ajuda da comunidade para aumentar as instalações da entidade | Foto Eduardo Montecino/OCP News

A clínica conta com um espaço para atender até 12 pacientes, mas, no momento apenas nove ocupam as instalações. Outros três vão dar início ao tratamento na próxima semana.

As dificuldades financeiras enfrentadas pela entidade são grandes. Com um gasto mensal aproximado de R$ 18 mil, a ONG não tem fins lucrativos e sobrevive com o financiamento público através de programas do governo, como o SENAD/MJ (Secretária Nacional de Políticas sobre Drogas), o programa Reviver, das arrecadações feitas na comunidade por meio de contas de luz, água ou depósito bancário e doação de cesta básica.

Segundo Mateus, o total arrecadado mensalmente com os programas do governo federal e estadual chega a aproximadamente R$ 12 mil, o restante dos gastos é custeado com as doações.

Entidade busca equilíbrio das contas

A ampliação do local é vista pela diretoria da instituição como a possibilidade de aumentar o financiamento público.

O valor fornecido através desses programas é de R$ 1 mil por paciente em tratamento. “Quanto mais pessoas eu atender aqui dentro, o rateio fica menor, então o custo individual diminui e equilibramos mais as contas”, afirma o coordenador.

Sem uma relação institucional com a Prefeitura de Jaraguá do Sul, a Comunidade Terapêutica depende da indicação da população também para que os usuários cheguem até o local.

“Os nossos pacientes que chegam aqui geralmente ficam sabendo da instituição através do boca a boca, de amigos ou familiares que recomendaram, já que não temos encaminhamento através da Prefeitura”, afirma Mateus.

Rotina saudável

A presidente da instituição, Maria Célia M. Chrast, conta que os dependentes químicos e alcoólatras só procuram ajuda quando já estão com sérios problemas. Por isso, o tratamento é focado em manter os pacientes em uma rotina saudável.

“Mantemos um cronograma diário de atividades. Eles têm horário para levantar, fazer as refeições, tarefas domésticas, artesanato, lazer e horários reservados para atendimento psicológico, palestras, atendimento com assistente social. Tudo é feito para que essa pessoa consiga recuperar a noção de tempo e responsabilidade que perdeu por causa da dependência”, relata.

Os pacientes fazem rodízio semanal para executar as tarefas do dia-a-dia | Foto Eduardo Montecino/OCP News

Os pacientes também são submetidos a um acompanhamento psiquiátrico e medicamentoso. “Todo o tratamento faz com que o indivíduo perceba os danos criados para a sociedade, para a família e para si próprio e restaure tudo isso”, complementa a presidente.

A ONG está aceitando doações de qualquer valor por meio de conta bancária ou através das contas de água e luz para a construção do novo alojamento, que poderá abrigar mais 12 pacientes, além da nova área administrativa e de atendimentos e reforma de áreas comuns.

Nova etapa

A.K. é uma das vidas recuperadas através do programa. Aos 30 anos, o ex-serrador conta que começou a usar cocaína ainda adolescente, aos 16, e viu sua vida desmoronar. “Você vai atrás do prazer que sentiu quando usou a droga pela primeira vez, mas não encontra mais, e quando percebe não consegue mais parar”, conta.

O jovem iniciou o tratamento há seis meses e comemora a chegada ao fim do tratamento | Foto Eduardo Montecino/OCP News

Ele relata que ao longo desses 14 anos, acabou se separando da mulher, perdeu todos os bens materiais que possuía e mudou várias vezes de cidade; conseguiu construir novamente um patrimônio e perdeu tudo mais uma vez. Foi depois de muito sofrimento que decidiu procurar tratamento pela primeira vez.

Com esse primeiro tratamento, A. K. ficou quase um ano longe do vício.

“Fiquei entre 2016 e 2017 sem usar substâncias químicas, mas viciei no álcool. O erro foi que esse primeiro tratamento eu fiz para impressionar a pessoa que estava comigo, quando ela me deixou e o álcool parou de satisfazer a minha vontade de drogas, eu voltei a usar cocaína”, revela.

O jovem hoje mora em Blumenau com sua companheira, está em tratamento há seis meses, com alta programada para o dia 5 de fevereiro.

Ele se emociona ao mostrar uma aliança que usa na mão esquerda simbolizando a importância que a entidade exerceu em seu tratamento.

O ex dependente químico usa uma aliança com o nome da entidade gravado no interior | Foto Eduardo Montecino/OCP News

“Sinto segurança em falar que não quero mais drogas e nem o álcool, o prazer que eu tinha usando essas substâncias agora é suprido pela minha família. Eu segui em frente e agora espero minha alta para iniciar um estágio como monitor em Blumenau”, comemora.

Vivendo em meio a muitas histórias como essa, a presidente Maria Célia pede ajuda à comunidade para continuar esse trabalho.

Conseguir dar andamento na ampliação do local é a prioridade agora para aumentar o número de atendimentos anualmente, pois em 2018 a entidade deixou de atender 46 pessoas por falta de espaço.

Além da doação em dinheiro, a presidente afirma que a ONG aceita materiais de construção, produtos de limpeza, higiene e alimentos.

“Passamos por fiscalização frequente e uma das coisas mais cobradas pelo governo federal é a alimentação dos pacientes. Existe uma tabela nutricional que precisa ser seguida para garantir a eles uma alimentação saudável”, afirma Maria Célia.

A instituição também está aberta à visitação para quem quer conhecer mais sobre o programa e entender a rotina dos pacientes.

Programas gratuitos

A gerente de saúde mental de Jaraguá do Sul, Denise Thum, conta que atualmente o programa voltado para a reabilitação de dependentes químicos CAPS AD (Centro de Atenção Psicossocial de Álcool e Outras Drogas), atende aproximadamente 150 pacientes em Jaraguá do Sul.

O serviço é completamente gratuito. Antes de iniciar o tratamento, diversas avaliações do padrão de uso e o grau de dependência são realizados para então ofertar atividades coletivas, grupos terapêuticos, consulta médica, internação hospitalar quando necessário e atendimentos individuais de acordo com a necessidade de cada um.

“Além do tratamento, o munício tem parcerias com algumas empresas para possibilitar o retorno dessas pessoas ao ambiente de trabalho e incentiva o retorno aos estudos”, afirma.

Serviço

Associação Beneficente Novo Amanhã

  • O que: Tratamento para usuários de drogas e álcool
  • Onde: Estrada Geral Aurora, SN, Rio Cerro II
  • Quanto: O tratamento é gratuito
  • Contato: (47) 98466-0780, (47) 98472-3473
  • Doações: Banco: nº 104 Caixa Econômica Federal, agência: 0417, operação: 013 – poupança, conta: 174087-2, titular: Associação Beneficente Novo Amanhã, CNPJ: 02.846.626/0001-49

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