Essa é a era em que a tecnologia irá se preocupar em resolver questões ambientais. É o que afirma o diretor industrial de sistemas e eMobility da WEG, Valter Knihs, ao destacar que Jaraguá do Sul estará na fronteira em soluções tecnológicas limpas para o zelo com a natureza.

O movimento no Brasil é acompanhar o ritmo acelerado dos países da Europa, Ásia e Estados Unidos em um dos principais problemas: redução da emissão de gases atmosféricos na mobilidade.

As primeiras ações de impacto vêm de grandes capitais, como a decisão de São Paulo de iniciar a transformação da frota de transporte coletivo em 100% elétrico até 2034. No entanto, Jaraguá do Sul está observando essa onda e se preparando para oferecer soluções em tecnologia e mão de obra.

A WEG em si é a grande propulsora. Muito antes do assunto se tornar rotina, a multinacional realizou em 2001 a primeira conversão de um carro a combustão para elétrico, veículo que foi dirigido pelo fundador Werner Voigt em um desfile de 7 de Setembro.

De lá para cá muita coisa mudou. Hoje a empresa conta com soluções completas, desde a geração de energia solar, eólica e biomassa; a transmissão e subestações; os eletropostos de recarga veicular; ao próprio Powertrain - o motor elétrico e um inversor de frequência para veículos.

Ao mesmo passo que a evolução da tecnologia dos produtos foi avançando, a empresa também esteve no apoio ao Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial). A primeira conversão veicular em ambiente educacional foi em 2011, e uma nova na última semana, no Instituto da Indústria Eggon João da Silva - criado justamente para desenvolver soluções em mobilidade e energias renováveis.

Foto Natália Trentini/OCP News

“Para o Senai, a importância dessa conexão com a WEG, esse Instituto, a ideia é formação técnica, trabalhar com consultoria e pesquisa. E atuar na formação de pessoas para conversão veicular, para dimensionamento de veículos elétricos”, comenta o diretor regional, Jefferson Galdino.

Essa agenda focada traz resultados. A própria vinda do primeiro ônibus elétrico para circular na cidade simboliza esse compromisso.

O executivo do Senai cita também o recém-lançado MBI em energias renováveis e mobilidade elétrica que atraiu 51 alunos de todo território nacional, incluindo funcionários de montadoras e empresas de concessão de energia.

“A gente coloca Jaraguá do Sul no radar do Brasil. Para a Fiesc hoje, a unidade que mexe com energias renováveis e mobilidade elétrica é Jaraguá do Sul”, enfatiza Galdino.

Jefferson Galdino, Alexandre Araújo e Valter Knihs e o carro convertido no Instituto | Foto Natália Trentini/OCP News

Visão no futuro

A previsão é que o mercado de carros elétricos comece a se popularizar a partir de 2024, chegando a 2026 com um número expressivo de automóveis de passeio circulando no País.

Esse crescimento é lento, pontua Knihs, pelo valor elevado da tecnologia, especialmente as baterias que não são produzidas no Brasil, e pela falta de políticas estruturantes e incentivo a essa transformação.

O avanço tem sido maior entre veículos de carga e pesados, por conta das empresas quererem mostrar que estão tomando ações sustentáveis - nesse nicho a própria Volkswagen lançou o e-Delivery, primeiro caminhão leve 100% elétrico do Brasil, com o sistema Powertrain da WEG.

Da mesma forma, acontecem movimentos políticos pontuais de governos que têm focado no transporte urbano, como é o caso de São Paulo.

Na popularização, junto a chegada de veículos com preços mais acessíveis, se tem a previsão de uma onda de conversão de carros - algo que tem sido notado atualmente, mas em pequena escala por conta do valor elevado: para um carro popular circular um dia inteiro é preciso desembolsar de R$ 30 a R$ 40 mil; para viagens mais longas, com maior autonomia e potencia, o investimento pode ultrapassar os R$ 150 mil.

“Existe uma empresa grande do Rio Grande do Sul trabalhando nessa frente e a gente está fazendo isso aqui no Instituto, preparando eletromecânicos”, explica Valter.

Valter Knihs Foto Natália Trentini/OCP News

O coordenador do Instituto da Indústria Eggon João da Silva, Alexandre Araújo, comenta que a preparação inicial está acontecendo. Alunos já desenvolveram um kart elétrico, uma moto e um barco abastecido com painéis fotovoltaicos.

Nos próximos anos os cursos devem ficar mais focados. Isso porque atualmente não existe demanda para o setor, mas é preciso estar preparado para atender esse movimento.

Moto elétrica teve mecânica e elétrica desenvolvido no Instituto | Foto Natália Trentini/OCP News

No caso de formações em energias renováveis, treinamentos de instalação e manutenção de painéis fotovoltaicos, por exemplo, são conduzidas com mais ritmo por já serem demandas de mercado.

“Jaraguá do Sul largou na frente trazendo o ônibus elétrico e já tem um Instituto para começar a puxar isso a partir do ano que vem, na geração e no uso dessa energia. Uso não quer dizer que precisa ser em um carro elétrico, pode ser o uso em um condomínio, supermercado, a gente vai cuidar disso também”, comenta Knihs.

“A gente vai cuidar de um todo e Jaraguá do Sul vai estar na fronteira, puxando essa nova era. A era do século 21, que é a era preocupada em resolver a situação do meio ambiente.”

 

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