Nesta semana, Jaraguá do Sul ultrapassou a marca de 350 mortes em decorrência da Covid-19 e chegou a 30 mil infectados pela doença desde o início da pandemia.

Especialistas estimam que cada morte em decorrência da doença impacta a vida de seis a dez pessoas, que sofrem com o luto – como familiares e amigos mais próximos, por exemplo. Isso faz com que a pandemia tenha impactos bem mais abrangentes.

O secretário de Saúde, Alceu Gilmar Moretti, lamenta os números e lembra que a Covid-19 tem características especificas, como a alta transmissibilidade – que faz ser comum uma família ter mais de um infectado –, a necessidade de isolamento no hospital e, muitas vezes, a morte solitária que impede o acompanhamento da doença e a despedida dos familiares.

“Não imaginávamos uma situação como esta. Vimos famílias inteiras infectadas, hospitais cheios, várias pessoas da mesma família indo a óbito. É realmente muito impactante”, pontua.

Dentro dos hospitais, a doença fez surgir grandes desafios. Novos protocolos de atendimentos foram criados em tempo recorde, alas tiveram que ser separadas e preparadas para receber os pacientes e os profissionais de saúde se depararam com rotinas exaustivas para cuidar dos infectados.

Fábia Regina Schaefer, coordenadora de Enfermagem do Pronto Socorro do Hospital São José, atua desde o início da pandemia na linha de frente dos atendimentos covid. Presenciou muitas histórias, desde momentos felizes, com pacientes recuperados e voltando para casa, como situações tristes e angustiantes.

“Quando temos que intubar um paciente e chamamos os filhos, esposa, pais para a despedida, enquanto o paciente ainda não foi sedado e está lúcido. Esse momento sempre é muito difícil para todos da equipe e, principalmente, para os familiares. Muitas vezes sabemos que é uma despedida, que não tem volta, mas ainda o que nos conforta é saber que conseguimos proporcionar isso ao paciente e seus familiares”, relata.

Fábia Regina Schaefer, coordenadora de Enfermagem do Pronto Socorro do Hospital São José | Foto: Divulgação/PMJS

Entre tantas histórias presenciadas no Pronto Socorro, Fábia lembra de um paciente que precisou ser intubado e estava com medo. “Ele não queria ser intubado, pediu muito para não realizar o procedimento, porém, devido a gravidade do caso explicamos que seria necessário, caso contrário, ele iria morrer. Chamamos os familiares para a despedida e foi muito emocionante. A família rezou junto com a equipe e com o paciente. Ele pediu muito para cuidar dos filhos, queria viver. Graças a Deus ele saiu bem, sem sequelas, é isso que nos fortalece, não nos deixa desistir”.

A coordenadora de Enfermagem ressalta que, depois de mais de um ano de pandemia, chama a atenção, neste momento, a quantidade de jovens infectados e morrendo vítimas da Covid-19.

“Eles procuram atendimento com a doença evoluída muito rápido, são pacientes graves e, muitas vezes, com menos de 12 horas de evolução, o que demanda mais tempo de toda equipe, mais empenho e muito mais trabalho. E, em meio a tudo isso, triste ainda ver pessoas não se importando com a doença e o que é pior, não acreditando nela”, desabafa.

Como profissional da linha de frente, Fábia também menciona a rotina exaustiva que veio junto com a pandemia. “Temos que lidar com a exaustão física e psicológica, muitos profissionais estão emocionalmente abalados e cansados de ver o sofrimento das pessoas. Todos os dias temos pacientes vencendo a luta contra a covid, mas não são todos e é muito difícil perder uma vida”.

Mas, em um momento que ainda é considerado delicado pelos especialistas, o avanço da vacinação traz esperança. Os efeitos positivos da imunização já são notados pelas autoridades de saúde. Cada dose aplicada é um passo a mais em direção a proteção da sociedade como um todo.

“Sabemos que a vacina é a solução para termos uma vida normal mas, enquanto isso não acontece, precisamos continuar nos cuidando. Não existe receita milagrosa, cuidado ainda é o que realmente funciona”.