Tudo indica que a cautela deve imperar esse ano na hora dos consumidores abrirem as carteiras para presentear os pais, dia comemorado no segundo domingo de agosto. Apesar de a data ser considerada uma das mais importantes do calendário anual dos lojistas, fatores como desemprego, redução de crédito e da renda das famílias devem contar. No Calçadão da Avenida Marechal Deodoro da Fonseca - um dos pontos que servem de termômetro do comércio em Jaraguá do Sul - mesmo faltando apenas uma semana, poucas fachadas anunciavam promoções específicas para atrair os consumidores. Estimativa divulgada essa semana pela Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas aponta que o comércio de rua deve atrair 71,9% dos consumidores para presentear no Dia dos Pais (14). Shoppings centers vem a seguir, com 18,5%, e internet, 3,9%. Segmentos tradicionais, como vestuário, calçados e perfumes devem liderar as ações de consumo. Ainda de acordo com a pesquisa, 40,7% dos catarinenses se consideram em situação financeira pior do que no mesmo período do ano passado, 31,3% melhor e 27,9% sem alteração. “A perspectiva é de que as vendas se mantenham como no ano passado, com um leve aumento no gasto com o presente para os pais. O comércio já vem sentindo, desde 2015, uma queda nas vendas, porém, há uma perspectiva de melhora no cenário para o segundo semestre de 2016”, declara o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Jaraguá do Sul, Marcelo Nasato. Neste sábado, “Sábado Legal”, haverá intervenções chamando os consumidores para as compras. Já a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) estima que o varejo deve movimentar R$ 4,2 bilhões nas vendas no país, o que corresponde a uma queda de 9,4% em comparação a 2015 e ao pior desempenho em um Dia dos Pais desde 2004, período em que as vendas ascenderam apenas 1,6%.

IMG_1189-2Líder de vendas de loja de calçados, Rita de Barros mostra produtos com descontos

Driblando a crise com criatividade Apesar de parte dos proprietários de estabelecimentos comerciais do Calçadão terem optado por centralizar ações na próxima semana, há os que preferiram correr na frente. É o caso da sócia-proprietária de uma loja de produtos da linha criativa, Jéssica Mueller, 25 anos, que desde o dia 20 se adiantou aos demais lojistas. Ela expõe na vitrine as novidades que costumam atrair o público masculino, principalmente pela originalidade. Utilitários, canecas decoradas, copos, almofadas e itens vintage de decoração chamam a atenção. “Homem gosta de presentes úteis e práticos”, constata. “Esse ano o pessoal já está comprando. Está melhor que o Dia das Mães (em maio). Já contratamos duas pessoas para esse período. Depois do Natal, é a nossa melhor data”, diz Jéssica, sorridente.

Líder de vendas de uma tradicional loja de calçados na esquina com a Avenida Getúlio Vargas, Rita Cássia de Barros, confirma que a fachada, mais as ofertas de calçados masculinos, com descontos de 20% a 60%, foi uma estratégia acertada. “A gente sempre monta a vitrine duas semanas antes. O pessoal entra na loja, gosta e leva”, garante ela. Mesmo sem citar números, atesta que as vendas estão “bem melhor do que se esperava”. O incremento deve vir após o pagamento das empresas, principalmente neste “Sábado Legal”.

IMG_1221-2Loja voltada para games oferece inúmeras opções aos pais aficionados, como camisetas

Comerciante do ramo de games, Jorge Bahr, há sete anos estabelecido na Avenida Marechal Deodoro, ele conta que apesar de ter pais modernos e descolados entre a clientela, optou por não chamar a atenção para a data. “Não focamos especificamente. A nossa estratégia é o preço, mesmo”, justifica. Considera que a oferta do Playstation 4, colocada à venda por R$ 1.990 (o valor original é R$ 2.290), é o maior chamariz para que o cliente se sinta motivado a entrar na loja. As opções são variadas, dentre os atrativos está uma camiseta com o personagem “Pokémon”, atual febre de consumo: “Estou recebendo tudo o que for relacionado à essa marca. Com certeza, vai sair muito”. Jorge não estipula qual é o desconto concedido, mas diz que para conquistar a clientela, vale o sistema de negociação individual.