Se você mora no bairro Amizade, nas proximidades da sede da Arsepum (Associação Recreativa dos Servidores Públicos Municipais), possivelmente deve conhecer a comerciante jaraguaense Elmira Glatz Camargo, 52 anos, mais conhecida como “Mira”, mas também como “Mi” e dona “Mimi”. Sócia-proprietária da Verdureira Danielle, na esquina entre as ruas Arthur Günther com a Roberto Ziemann, Mira tem uma característica que a identifica bem: a simplicidade e a forma prestativa e atenciosa com que atende os clientes. No ramo de frutas, verduras e legumes há 20 anos, ela não se preocupa apenas em fornecer produtos de qualidade com preços compatíveis. Faz questão de conhecer a clientela, interagir e ouvir suas histórias de vida, confidências, e se solidarizar sempre que possível. “Muita gente de fora me diz que estranham quando me veem conversar com todo mundo, que os acolho bem. Não é fácil ser comerciante, mas o que nos faz trabalhar é a fé que se tem, de que tudo vai melhorar”, declara, esperançosa. “O que mais gosto é de conviver com as pessoas. Me preocupo com cada um. Falo tanto em alemão, como em português”, observa. Carismática e emotiva, Elmira explica que, para ela, não faria sentido manter o negócio apenas visando o lucro. “Me envolvo no lado humano. Conheço tanta gente! Sei de muitas histórias aqui. Acompanhei crianças nascendo e crescendo, chegando e indo embora”, conta. A verdureira cita o caso recente da visita de um jovem pai de família que recebeu no estabelecimento comercial. Um ex-morador de um condomínio próximo quando era adolescente e ainda morava com a mãe. “Ele se casou e veio aqui me apresentar a filha, de três anos. Esse lado é tão bacana! Às vezes, as pessoas mudam de bairro, mas param o carro, entram e me dizem que pararam somente para me dar um abraço”, revela, com os olhos marejados. Vinda de uma família de sete filhos, em que uma das cinco irmãs, Renata, também mantém comércio no mesmo segmento, Elmira começou a trabalhar cedo, aos 10 anos, como empregada doméstica da madrinha, no Rio Cerro. Dos 12 aos 18 anos , foi trabalhar na casa de Cecília Hering, “que era vizinha e muito amiga da dona Álida Grubba, sempre se visitavam”, recorda. Depois desse período, foi atuar na produção de indústria metalúrgica durante 11 anos, época em que conheceu o marido, Mauro Camargo. O casamento foi em 20 de dezembro de 1986 e a única filha, Danielle, nasceu um ano depois, no dia 30 de dezembro. Perfeitamente adaptada à cidade-natal, Elmira, que ainda mantém o costume de anotar a conta dos clientes em cadernetas e fichas, se diz realizada. “A cidade cresceu bastante e cresci junto. Hoje temos o comércio, uma casa, veículo”, salienta. Entende que Jaraguá ainda pode ser considerada “uma cidade tranquila e mais segura, limpa, onde ainda não tem tanto desemprego. Têm indústrias, crescimento. Fico triste quando fico sabendo que uma empresa faliu”, assegura. “Amo Jaraguá de paixão, não trocaria por nada. Para mim, viver aqui é tudo de bom”, assegura Elmira.