O mergulho no mundo das descobertas literárias, tanto para novos leitores quanto para os antigos apaixonados por livros, começa hoje e dura, ao menos, onze dias em Jaraguá do Sul. Tem início a décima edição da Feira do Livro, com uma ampla programação para todas as idades. Com patrocínio do jornal O Correio do Povo, desta vez, o evento coloca em discussão a “Literatura em todas as Artes”, mostrando a ligação que há entre as mais variadas expressões artísticas e o universo literário. Com a expectativa de atingir o número de 600 mil visitantes ao longo de dez anos, tendo que, desta forma, bater os 66 mil só neste ano, a Feira do Livro mais uma vez traz uma série de atividades gratuitas para toda a comunidade. Com o intuito de discutir a relação da literatura com áreas como fotografia, música, cinema, entre outras, ela recebe os autores Milton Hatoum e Paula Pimenta, o escritor, dramaturgo e cineasta Fernando Bonassi, o dramaturgo Samir Yazbek, entre outros nomes. “É uma programação bem intensa e completa, onde cada convidado contribui de maneira significativa para a discussão do tema adotado”, enfatiza o coordenador geral do evento, João Chiodini. Além disso, a programação é coroada com o lançamento de obras de autores da cidade e região, somando mais de 20 livros, além de apresentações musicais, teatrais, contação de histórias e exposições. “Temos também a apresentação de Gelson Bini, que morou em Jaraguá do Sul por alguns anos, com o Guia de Leitura Rock. Nele, o autor mostra como álbuns conhecidos do rock estão ligados com a literatura”, exemplifica. A Feira do Livro começa hoje a partir das 8h30. Durante a semana, ela pode ser visitada das 9h às 21h. Aos sábados, o horário de início é o mesmo, porém, as portas se fecham às 19 horas. Já aos domingos a visitação pode ser feita das 10h às 18h. A feira conta ainda com o Galpão da Leitura, montado no estacionamento da Scar, lá ficam as livrarias expositoras e uma estrutura anexa onde ocorrem as contações de histórias. As palestras e oficinas acontecem dentro do Centro Cultural. pagina 17 Autor de quatro romances e um conto, somando mais de 300 mil livros vendidos, Milton Hatoum é um dos grandes nomes da literatura brasileira e abre a primeira noite da Feira do Livro, hoje, às 19h30. No encontro, que ocorre no Grande Teatro da Scar, o amazonense falará sobre as possibilidades da literatura e o lugar da ficção. “Ele é um escritor com uma produção relativamente curta, mas de extrema importância para a literatura. Ele foi o primeiro nome que fechamos e dá o ponto de partida para a ligação da literatura com todas as artes, como sugere o tema deste ano”, enfatiza o coordenador geral do evento, João Chiodini. Hatoum escreveu os livros ‘Dois irmãos’, ‘Cinzas do Norte’, ‘Relato de um Certo Oriente’, entre outros, e teve os seus livros publicados em 12 países. Além disso, a obra Dois Irmãos foi adaptada para uma HQ, onde os brasileiros Fábio Moon e Gabriel Bá ganharam o “Oscar dos quadrinhos”, em San Diego, durante a Comic-Con 2016, nos Estados Unidos, na categoria “melhor adaptação de outro meio” do Eisner Awards. O livro também foi adaptado para o cinema. linha azul entrevista Este é o ano em que a Feira do Livro de Jaraguá do Sul completa uma década de existência. A iniciativa, que começou tímida na Praça Ângelo Piazera, mas que sempre recebeu nomes importantes do cenário literário e fomentou a leitura, ganhou grandes dimensões e hoje ocupa a área interna e externa do Centro Cultural da Scar. Em entrevista ao jornal O Correio do Povo, o coordenador geral do evento, João Chiodini, falou sobre esses dez anos de realização e de como a Feira foi projetada para este ano. O Correio do Povo - A Feira do Livro de Jaraguá do Sul completa dez anos. Como vê o evento ao longo desses anos? João Chiodini: Vejo a Feira do Livro como um efeito nas pessoas. A comunidade se integrou e evoluiu no âmbito literário devido a ela. Antes e até mesmo no começo, a literatura era meio marginal, estava à margem, era algo não inserido em toda a comunidade. A feira formou leitores e, mais do que isso, formou escritores e colocou a literatura e quem a produz, no cotidiano das pessoas. Ela formou um elo entre a literatura e a sociedade, e hoje vemos diversos movimentos literários fomentando ainda mais tudo o que foi e é trazido na feira. Qual o efeito direto da feira no público local? A primeira coisa foi fazer algumas pessoas perderem o medo dos livros. Muitos tinham medo de começar e não terminar a ler um livro e mostramos que se você não conseguiu ler um livro, diz que não gostou, é preciso tentar novamente. Leia outro livro, experimente outra coisa. E também a não se fechar para outros gêneros. Não há livros bons ou ruins, porque depende do gosto de cada um, mas o legal é você experimentar novos gêneros e aproveitar o que eles têm para te mostrar. A feira mostrou essas possibilidades e hoje estamos cercados por literatura e leitores, devido à essa semente plantada há dez anos e cultivada anualmente. A décima edição, a princípio, foi pensada em outro formato. Devido à situação financeira, a ideia foi deixada de lado e foi seguida outra programação. Como foi montada essa edição comemorativa? Pensamos na ‘Literatura em todas as Artes’ (o tema deste ano) pois isso abriu um leque de opções em que poderíamos mostrar a interação da literatura com outros meios. E estamos na era da interação, isso faz parte do momento atual e dia a dia das pessoas. Dentro disso, montamos uma programação intensa, com muitas opções, onde cada um aborda uma faceta que contempla todas as áreas e traz a ligação delas com a literatura. A crise reduziu sim o orçamento, mas também serviu para vermos como nós e todos os parceiros acreditam na feira. As empresas fizeram um esforço para investir, deram um jeito de ajudar, porque acreditam nesse projeto e sabem da importância dele para toda a cidade e região. expositores feira do livro - em (1)

Livrarivas começaram a organizar ontem os espaços que serão ocupados durante os 11 dias da feira

programacao