Um problema que se arrasta há anos pode estar próximo de ser minimizado em Jaraguá do Sul. Um acordo entre a Celesc e as operadoras de telefonia e internet prevê que na próxima segunda-feira (23) seja iniciada uma força-tarefa para higienizar os postes em 30 quilômetros da área central da cidade, trabalho que deve durar três meses. Os detalhes da operação serão definidos hoje durante reunião entre o gerente regional da Celesc, Wagner Vogel, e representantes das operadoras. Se der resultados positivos, a intenção é que a operação seja estendida para todo município. Um levantamento realizado pela Secretaria de Urbanismo e Planejamento já havia apontado as principais ruas e os casos emergenciais. O mapeamento indicou vias centrais como Marechal Deodoro da Fonseca, Reinoldo Rau, Epitácio Pessoa, Getúlio Vargas, Barão do Rio Branco, José Planincheck, entre as mais problemáticas. Wagner Vogel explica que de segunda a quinta-feira de cada semana as empresas ficarão responsáveis por revisar seus cabos e retirar os que estiverem soltos, embarrigados ou sem identificação. Depois, entre sexta-feira e domingo, uma equipe da Celesc passará pelos mesmos locais para confirmar se está tudo dentro das normas exigidas e fará a retirada dos fios fora de padrão. A preocupação é que alguns consumidores possam ficar sem linha de telefone e internet, principalmente em casos de empresas que estejam operandos sem licença e por isso não identificam seus fios, que serão retirados dos postes. Nesse caso, a orientação é para que os consumidores atingidos procurem pelos prestadores de serviço. O emaranhado de fios, com os riscos trazidos por eles e a poluição visual, é um assunto que vem sendo debatido há uma década no município e o aumento da conectividade fez o problema crescer. Segundo o gerente regional da Celesc, a empresa não tem um quadro de pessoal para lidar apenas com estas operações e são em torno de 50 mil postes só em Jaraguá do Sul. Atualmente, 12 empresas de telefonia alugam espaço nesses postes, mas a estimativa é que outras três estejam fazendo uso de forma irregular, sem pagar taxas. No Estado, o aluguel de fios rende à Celesc em torno de R$ 9 milhões ao ano, 70% da verba aproximadamente é utilizada para subsidiar a tarifa de energia elétrica, baixando o custo final para o consumidor.

Lei municipal prevê multa

Em 2017, a Câmara de Vereadores de Jaraguá do Sul aprovou uma lei que normatiza o uso dos postes no município e prevê multas em caso de descumprimento. De outubro até agora, as penalidades aplicadas pelo município à Celesc somam mais de R$ 85 mil. Segundo Wagner Vogel, como o uso dos postes de trata de uma concessão federal, a situação ainda está sendo avaliada. Há três meses no cargo, o engenheiro admite que a fiação é entrave a ser enfrentado. Uma das correções já feitas, acrescenta, foi na comunicação. Anteriormente, ao receber uma reclamação, a Celesc repassava a informação para Florianópolis, que levava para São Paulo para então as operadoras serem notificadas, o que atrasava e até impedia a busca por soluções. Atualmente, a comunicação das demandas ou reclamações é feita diretamente entre a Celesc e os representantes das operadoras através também de um grupo no Whatsapp.