Do esforço voluntário podem surgir grandes transformações. Com essa premissa, há 26 anos um grupo de mulheres se reúne para auxiliar uma das mais consolidadas instituições de Jaraguá do Sul: a Associação de Amigos do Autista de Jaraguá do Sul (AMA). Pelas mãos dessas voluntárias, um grande volume de cartões comemorativos é produzido, gerando renda e garantindo sustentabilidade à entidade. No ano passado, 31.513 exemplares foram confeccionados artesanalmente, somando uma renda de R$ 77,9 mil. Neste ano, até o mês de outubro, a atividade gerou cerca de R$ 40 mil, valor que deve crescer com as vendas de Natal. Conforme explica a diretora da AMA, Tânia Krause, como não é cobrada mensalidade das famílias atendidas, a entidade conta apenas com colaborações espontâneas, o trabalho do voluntariado é de extrema importância. “Sem essa rede de solidariedade a AMA não teria como sobreviver. O trabalho delas é muito significativo. A venda dos cartões ajuda na manutenção da entidade, mas não estamos falando só de pintura, de água e de luz, pois temos uma equipe técnica multidisciplinar que precisa ser paga”, ressalta. A renda obtida com os cartões também serve para custear esses profissionais: fonoaudióloga, duas terapeutas ocupacionais, assistente social, duas psicólogas, psicopedagoga, duas pedagogas, além de merendeira e faxineira. As despesas da associação também envolvem outras contas, o que torna o trabalho das cerca de 100 voluntárias ainda mais significativo.
Atividade gerou cerca de R$ 40 mil neste ano | Foto Eduardo Montecino/OCP
Divididas em grupos, mulheres de várias idades doam tempo e criatividade para projetar e confeccionar produtos que, além do capricho, carregam a marca da solidariedade. Segundo a auxiliar administrativo da AMA, Tatiane dos Santos Prestes, as turmas se reúnem às segundas, terças e quintas à tarde, e também às quartas-feiras pela manhã. Todas as terças-feiras são confeccionados os cartões para o comércio. Nos demais dias a turma da produção trabalha na elaboração dos cartões destinados às empresas. “Os temas são variados, como aniversário, casamento, nascimento, as principais da tas comemorativas, entre elas o Natal”, aponta. Na sala onde a criatividade aflora, na sede da instituição, entre risos e conversas, os cartões vão ganhando cores, brilhos e formas. Voluntária há dez anos, Marli Puchalski, 54 anos, revela que o primeiro grupo a se reunir para desenvolver os cartões era formado pelas mães de alunos. Aos poucos, as pioneiras foram convidando amigas e familiares e a atividade foi evoluindo e tomando proporção. “A gente vem para cá fazer um trabalho voluntá- rio que é muito gratificante. Ficamos tão felizes quando chegam pedidos, montamos as pastas com carinho para mostrar nossos produtos. Temos empresas que nos pedem 10 mil, 20 mil cartões e nós trabalhamos assim, com muita alegria para atendê-las”, garante. NA PRODUÇÃO, CADA UMA COM SUA FUNÇÃO Beatrice Behling Gomes, 51 anos, é a voluntária encarregada da entrega dos produtos no comércio, seguindo um roteiro conforme a necessidade de cada um dos 15 pontos de venda, que incluem floriculturas, lojas de presentes e lojas de roupas. “De acordo com as datas, como Dia das Mães, Dia dos Pais, entre outras, vamos direcionando e distribuindo”, explica. Ela revela que dentre as voluntárias existe um grupo de criação, que se dedica a elaborar modelos novos e aumentar a oferta de cartões. Na parte empresarial, a linha é um pouco mais simples e o preço é diferenciado, pois a comercialização é feita em grande quantidade. A base dos cartões é feita em papel reciclado, também confeccionado por voluntárias. A produção é de 1.200 folhas por mês. Cada folha rende em média quatro cartões. Para os enfeites, são utilizados outros materiais, como papel, fitas, botões, que também chegam por meio de doações ou são adquiridos conforme a necessidade. “Recebemos muitas doações e procuramos aproveitar tudo. Aqui temos um exemplo, uma grande empresa nos doou essas tags (etiquetas), que aproveitamos para decorar para o Natal. Agora, elas levam o nome da AMA e podem ser anexadas a um presente ou panetone que a pessoa queira oferecer”, esclarece Beatrice. Parte das mulheres que trabalham em prol da associação produzem também os cartões quilling – técnica de artesanato que utiliza tiras de papel enroladas –, que fazem muito sucesso pelos impressionantes detalhes. Neles, são usadas tiras em rolinhos de formatos diferentes que, quando organizadas e moldadas, formam desenhos diversos. A técnica exige paciência e suavidade nas mãos para dar aos rolinhos o formato do desenho que se pretende criar. E o resultado é de encher os olhos. No ano passado, mais de 500 cartões quilling foram confeccionados pelas voluntárias. LEIA MAIS: - Conheça voluntários de Jaraguá que doam tempo para ajudar famílias carentes no Natal