Primeiro de tudo, já está mais que ultrapassado que o estupro não é culpa da vítima (vestimenta)... culpa do estupro é do estuprador! Mas vamos conversar de um caso mais específico, o estupro de crianças e adolescentes! Inicialmente, conforme dispõe nosso ordenamento jurídico, abaixo dos 14 anos de idade é estupro de vulnerável (217-A do Código Penal Brasileiro). Vulnerável por quê? Porque a criança/ adolescente envolvida não tem maturação fisiológica e intelectual para dizer “eu aceito ter relações sexuais com você”! Ou seja, abaixo de 14 anos é incontestavelmente estupro perante a lei!!!! Bom! Após essa breve explanação eu adentro realmente no assunto que é meu objetivo, a vítima! A criança vítima nunca é culpada, mas na sua cabecinha ela vai achar que é! Ela vai achar feio! Ela vai ter vergonha! Ela vai ter medo! Esse medo é de tudo! Lembramos que ela é uma vítima! Vítima possuem traumas. Uma criança estuprada não sai por aí contando para o pai, mãe, tio, irmãos ... que foi estuprada, pois ali já nasceu um bloqueio de confusões! Eu imploro-os, observamos nossas crianças, os casos de estupro são os mais difíceis de descobrir do que você imagina, essa vítima não vai falar! Muitas mulheres adultas são estupradas e nunca denunciam, pois é mais fácil viver com a dor escondida do que com as críticas. E pior ainda ocorre com nossas crianças, que tem medo do “ ter feito algo de errado e a mãe vai brigar comigo”! Uma pessoa estuprada vai levar essa dor para a vida toda! Nunca questionei o “porque” ela não fez nada! Pois eu já te respondo, é feio!!!! Ser estuprada é feio!!!!! É sujo!!!! É ruim!!! É dolorido!!! Ninguém quer esse título! Por fim, vou expor uma situação que ocorreu essa semana com minha filha de 10 anos de idade. Minha pequena estava na escola, quando o seu colega de sala começou a simular atos sexuais com a carteira e olhou para a minha filha e disse que queria “trepar”! Vocês sabem como eu descobri essa história???? Eu recebi um bilhete avisando que minha filha tinha ido para a diretoria, mas não sabia o “por quê?”. Ao questioná-la, ela não falava nada (antes que vocês falem qualquer coisa em relação a nossa relação maternal, saiba que eu e ela somos confidentes e amigas, uma relação muito saudável!). Como minha filha não falava eu tive que ir até a escola. Quando cheguei lá a diretora conversou com ela e depois comigo. Resumo, a diretora me contou o que havia acontecido e disse que minha filha estava com vergonha de falar a palavra “trepar”! Minha filha com um sorriso tímido olhou para mim e pediu desculpas. Ao chegar em casa, questionei o que o “trepar” significava para ela, ela me respondeu: “Isso é horrível mãe, é feio”! Moral da história: sexo é maravilhoso, é algo saudável entre pessoas maduras. Ocorre que a forma que é apresentado para uma criança assusta e atropela o entendimento, pois ainda não tem condições racionais de entender. Você não vem me dizer que uma criança estuprada vai contar com a maior facilidade o “ato horrível e feio” que aconteceu com ela? Não! Isso normalmente só vai ser declarado na fase adulta de uma forma bem tardia, mas o fantasma vai estar lá dentro dela agindo de uma forma ainda mais assustadora, acompanhado do silêncio! Ei, vamos observar nossas crianças? Vamos cuidar delas? Sexo/ Amor consentido não existe para nossas crianças! Pode ter o corpão que for! É estupro!!!!!!! Não vamos deixar nossas crianças morrerem por dentro! *Carta enviada pela leitora: Danubia Medeiros Bachtold - Advogada