As chuvas típicas de verão costumam amenizar, ao menos por hora, o forte calor que faz nesta época do ano. Mas, em Guaramirim, além disso, as chuvas evidenciam visitantes bastante indesejados: os caramujos africanos.

Segundo a gerente de vigilância em saúde, Ana Maria Rodrigues, o município tem pelo menos três bairros com infestação do caramujo. No Avaí, Centro e Recanto Feliz, a incidência dos moluscos tem preocupado tanto o município quanto os moradores.

A cabeleireira Inês Cecília Rosa Silva chegou a utilizar uma rede social para alertar a população sobre a quantidade de caramujos que se acumulam em um terreno baldio que fica na frente da sua casa e que, segundo ela, se multiplicam no verão.

“Estamos aqui há mais de um ano e no final de dezembro isso veio como se brotasse da terra. É inacreditável”, conta.

Ana Maria Rodrigues explica como deve ser realizado o descarte dos animais | Foto: Eduardo Montecino/OCP News

A gerente de vigilância chama a atenção para o cuidado que a população precisa ter e a atenção com a limpeza dos terrenos. Ana afirma que a infestação se deu, em grande parte, devido ao descarte indevido dos caramujos.

“O problema se multiplica por conta do manejo incorreto. Muitas pessoas jogam no lixo, em outros terrenos, e há quem coloque iscas, mas elas são muito prejudiciais porque afetam todo o ecossistema, matando outros animais, como pássaros”, alerta.

Combate à infestação exige cuidados

A orientação é de que cada morador esteja atento à limpeza de seu terreno e em caso de ocorrência do caramujo, o manejo siga as instruções da vigilância.

“Primeiro é preciso fazer a catação do caramujo vestido de luvas de borracha e com calçado fechado. Depois abrir uma cova e espalhar cal virgem. O próximo passo é depositar o caramujo e os ovos, espalhar mais uma camada de cal e fechar”, explica.

Ela explica ainda que o problema é recorrente no município justamente porque as pessoas não seguem esse procedimento na hora de descartar o molusco, o que acaba por multiplicar os focos. Segundo Ana, os casos se tornaram mais comuns há cerca de cinco anos.

A gerente explica ainda que os caramujos vivem entre 5 a 6 anos e a partir do quarto mês de vida já são capazes de se reproduzir. Cada fêmea, explica, pode ter entre 50 e 400 ovos e essa reprodução pode acontecer até quatro vezes por ano. Por isso, conclui, a infestação acontece tão rapidamente.

Sem predador, os caramujos encontram em terrenos sem limpeza e úmidos o ambiente ideal de reprodução e, por isso, a gerente de vigilância reforça a importância de eliminá-lo conforme as orientações.

Para gerente de vigilância, o descarte incorreto causa multiplicação dos caramujos | Foto: Eduardo Montecino/OCP News

O secretário de Saúde, Marcelo Deretti, enfatiza que a Secretaria de Saúde está trabalhando na orientação, que tem se tornado mais frequente com a chegada do verão. Ele alerta que cada morador é responsável por recolher os caramujos e limpar o próprio terreno.

“O problema de infestação por caramujo africano só será solucionado se cada morador fizer a sua parte, por isso é extremamente importante que cada um faça a sua parte e ajude a combatê-lo”, diz.

A Prefeitura de Guaramirim deverá realizar, durante o ano, ações de educação nas escolas, além de distribuir material informativo à população.

Jaraguá do Sul tem ocorrência em todos os bairros

A situação não é diferente em Jaraguá do Sul, esclarece o veterinário do setor de zoonoses, José Edson Rodrigues. Segundo ele, o problema está “alastrado”, uma vez que já houve ocorrência em todos os bairros e alerta ainda que no verão aumenta ainda mais a presença do molusco.

O veterinário diz ainda que o bairro com maior número de reclamações é Nereu Ramos e chama a atenção para a necessidade da limpeza em todos os terrenos, especialmente os baldios.

“Nas casas, nos terrenos, geralmente as pessoas costumam se preocupar com a limpeza e eles não conseguem se criar. O problema maior são os terrenos baldios e é importante que os proprietários se conscientizem e também mantenham o local limpo e livre de ambientes passíveis de reprodução”, enfatiza.

A orientação para manejo é a mesma repassada à população de Guaramirim.

Perigo para a saúde

O caramujo africano foi introduzido no Brasil ainda na década de 1980 para ser utilizado como substituto do escargot, mas a espécie não foi tão bem aceita e se espalhou pela natureza e está presente em quase todo o país.

O caramujo é considerado uma praga agrícola e urbana por se alimentar de plantações e infestar lugares onde há presença de lixo e mato.

É preciso atentar para a eliminação correta do caramujo, evitando o contato com o molusco, que vive na concha. É preciso proteger muito bem as mãos. A gosma liberada por ele pode transmitir as verminoses e infecções por parasitas.

 

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