Não fumar, não ingerir bebidas alcoólicas, manter uma alimentação saudável e praticar atividades físicas. Esses hábitos, constantemente presentes nas listas de resoluções de ano novo também são pontos fundamentais para prevenir o câncer. A incidência da doença cresceu 20% na última década em âmbito mundial e, somente neste ano, aponta estimativa do Inca (Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva), o Brasil deve registrar 596 mil novos casos. No Dia Nacional de Combate ao Câncer, lembrado neste domingo (27), a oncologista clínica Pauline Zanin destaca o conhecimento sobre hábitos saudáveis como ponto chave para evitar a doença. “Pode parecer repetitivo, mas há pesquisas que comprovam tal relação. Ter um estilo de vida saudável ajuda tanto na prevenção quanto no decorrer do tratamento dos pacientes”, salienta. De acordo com informações do Inca, estudos indicam relação entre o excesso de peso e o desenvolvimento de cânceres como o de cólon e reto, assim como tabagismo, associado a vários tipos da doença. Além das causas mais divulgadas, práticas como o uso de agrotóxicos podem aumentar as chances de câncer, principalmente de tumores mais agressivos, como o de próstata. As carnes industrializadas, em razão do processamento a que são submetidas, também são classificadas como agravantes de risco para a saúde humana. “Comer aquela carne assada que passa um pouco do ponto no churrasco, por exemplo, é mais um hábito que deve ser evitado”, lembra a oncologista. Pauline avalia que apesar de existirem vários fatores associados ao câncer, os maiores vilões são o cigarro, álcool e excesso de peso. “Essa rotina atribulada das pessoas hoje em dia, que ingerem uma quantidade de alimentos processados em excesso, pode estar relacionada ao crescimento no número de casos, em especial nos jovens”, relata. O envelhecimento da população também favorece o quadro, segundo ela. O tabagismo continua sendo um dos maiores causadores da doença, sendo responsável por cerca de 30% das mortes por câncer. Entretanto, devido as maiores ações de conscientização, é possível observar uma tendência à redução dos casos, afirma a oncologista. “Antigamente era mais comum os pacientes que chegavam aqui e contavam que fumavam desde os dez anos, por exemplo, isso está diminuindo”, considera. Imunoterapia é nova aposta para tratamento Os avanços tecnológicos nos estudos científicos têm contribuindo significativamente para as melhorias nos meios de tratamento de câncer. “É uma área bem promissora, até pouco tempo, tínhamos somente a quimioterapia, que são drogas citotóxicas e resultam em um processo agressivo para o paciente porque não atuam exclusivamente contra a doença. Ela age em todas as células que têm replicação celular rápida, por isso possui muitos efeitos colaterais”, explica. A aposta para o procedimento clínico do câncer nos próximos anos é a imunoterapia, baseada no tratamento de doenças pela modificação do sistema imunitário. Através dela, é possível mapear os tumores e células, e verificar as mutações que estão desenvolvendo, agindo diretamente nelas e bloqueando outros efeitos colaterais. A novidade é promissora e está em fase de testes. Este método e outros já aplicados estão aumentando a sobrevida do paciente, mesmo com o diagnóstico tardio. “Conseguimos ver mais pessoas curadas ou com a doença controlada por mais tempo. Hoje, ela já não é mais sinônimo de morte”, afirma. Mesmo sendo a melhor forma de obter a cura da doença, o diagnóstico precoce ainda depende da agressividade do tumor, que muitas vezes não apresenta sintomas na fase inicial. “O de pâncreas, por exemplo, é um local onde a pessoa não tem sangramento e nem dor, necessitando de um aumento considerável para começar a aparecer. Assim, detectamos em estado muito avançado. Quando está no começo e não tem metástase, o câncer na maioria das vezes é operável”, conclui. linha azul Hábitos que ajudam a evitar o câncer • Não fumar • Manter alimentação saudável • Ingerir grandes quantidades de alimentos de origem vegetal • Evitar o consumo de bebidas alcoólicas • Praticar atividades físicas • Cuidar com a exposição excessiva ao sol • Manter em dia as consultas médicas e fazer os exames preventivos (procurar o médico ao sentir dores ou outros sintomas incomuns no corpo, além de apalpar-se) • Realizar diariamente a higiene bucal linha azul

DADOS EM JARAGUÁ DO SUL

 105 mortes registradas até agosto deste ano

Cinco principais causas • Pulmão 12 • Cólon, reto e ânus 10 • Neoplasia maligna do estômago 9 • Mama 8 • Neoplasia maligna do esôfago 6 - 1.060 internações por tumores até setembro - 186 mortes registradas em 2015 Fonte: Secretaria Municipal da Saúde linha azul

ESTIMATIVA DE NOVOS CASOS REGIÃO SUL

Homens: 74.130

Principais: Próstata 13.590 / Traqueia, Brônquio e

Pulmão 5.000 / Cólon e Reto 3.180

Mulheres: 57.750 Principais: Mama feminina 10.970 / Cólon e Reto 3.430 / Traqueia, Brônquio e Pulmão 3.040 Fonte: Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva linha azul CURIOSIDADES • Estudos apontam fortes evidências entre o excesso de peso e o desenvolvimento dos seguintes tipos de cânceres: cólon e reto; mama (na pós-menopausa), ovário, próstata, esôfago, pâncreas, rim, corpo do útero, vesícula biliar, e fígado. Os quatro primeiros estão na lista dos mais incidentes no Brasil. • As carnes processadas podem causar câncer em razão do processamento industrial a que são submetidas como salga, defumação, cura e adição de conservantes. • O tabagismo, responsável por cerca de 30% das mortes, tem relação com vários tipos de câncer (pulmão, cavidade oral, laringe, faringe, esôfago, estômago, pâncreas, fígado, rim, bexiga, colo do útero, leucemias). • O principal câncer associado ao tabagismo é o de pulmão. Fumantes chegam a ter 20 vezes mais chances de ter este tipo de câncer que não fumantes, 10 vezes mais chances de ter câncer de laringe e de duas a cinco vezes mais chances de desenvolver câncer de esôfago. • De acordo com a Organização Mundial da Saúde, câncer de pulmão, mesotelioma e câncer de bexiga estão entre os mais comuns tipos de câncer relacionados ao trabalho. • Há evidências de que o uso de agrotóxicos está associado ao aumento do risco de câncer de próstata, principalmente de tumores mais agressivos. O câncer de próstata é o mais incidente entre os homens brasileiros.