A nova declaração do presidente Michel Temer não caiu bem entre os caminhoneiros que seguem em paralisação desde a semana passada, quando a mobilização iniciou e ganhou corpo. Depois do insucesso em dissuadir os motoristas, o presidente anunciou novas concessões na noite de domingo (27).

A redução de R$ 0,46 no litro do diesel por 60 dias, o estabelecimento de uma tabela mínima de fretes, a isenção da cobrança de pedágio para eixo suspenso de caminhões vazios em rodovias federais, estaduais e municipais, são algumas das medidas que caminham de encontro às reivindicações iniciais da categoria, que iniciou a paralisação há nove dias.

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Mas a credibilidade do presidente e de suas medidas se esfacelou após a falta de diálogo o endurecimento nas negociações e a intenção de encerrar a paralisação com o uso de forças armadas, avaliam caminhoneiros da região.

Pontos de paralisação continuam pela região | Foto Arquivo OCP News
Pontos de paralisação continuam pela região | Foto Arquivo OCP News

Para Souza – que prefere não informar sua identificação completa –, Temer subestimou a força da categoria e do povo brasileiro e age com urgência após se deparar com uma movimentação organizada, forte e que conta com o apoio da população.

“O Michel Temer perdeu totalmente a credibilidade conosco. Agora ele está querendo voltar atrás, agora que ele viu que a coisa apertou. Porque antes ele achou que nós não tínhamos força, mas nós vamos continuar”, garante.

Resistente à possibilidade do fim da paralisação, ele, que é uma das centenas de lideranças espalhadas pelos pontos de bloqueio em Santa Catarina, afirma que o presidente falou "besteira”. Souza coordena o ponto de bloqueio na BR-280, em Araquari, que conta com mais de dois mil caminhoneiros parados no pátio e no acostamento.

“Sexta-feira ele já foi para frente da televisão falar besteira, prometendo 60 dias e depois? O que ele vai fazer? Não queremos. Nós já estamos sofrendo e depois dos 60 dias, o que ele vai fazer? Vai liberar tudo isso para daqui 60 dias ele fazer tudo de novo. Vamos continuar”, ressalta.

"Pauta agora é uma só"

O coordenador destaca ainda que o apoio popular tem sido fundamental para a força e o impacto que o movimento tem causado. Ele afirma que há muitos colaboradores no ponto da BR-280 que fornecem alimentação, locais para banho e até mesmo atendimento médico. “Não estamos aqui para defender só os nossos interesses. Não arredamos pé”, finaliza.

Responsável por quatro pontos de paralisação, Kelvin Cristofolini também exalta o apoio da população, mas é mais enfático quanto à pauta da manifestação nesta segunda semana.

Segundo ele, que é caminhoneiro autônomo e coordena os dois pontos de bloqueio de Guaramirim e os pontos de Jaraguá do Sul e Massaranduba, só há um acordo possível para a desmobilização da paralisação na região.

“Não é mais dos caminhoneiros essa causa. Não se trata do que os caminhoneiros querem. Nós iniciamos a causa, o povo aderiu e o que o povo quer é intervenção militar e ponto. Ele pode colocar a medida que quiser, o acordo é intervenção militar”, assegura.

Segundo Cristofolini, são cerca de 200 caminhoneiros autônomos participando da mobilização nestes quatro pontos. Quanto ao número de caminhões de empresas que se uniram à paralisação ele não soube precisar.

O caminhoneiro ressalta que o movimento iniciou com uma pauta de cerca de 10 pontos e “agora o povo quer só uma”. “De dez, filtrou para uma só: intervenção militar”, afirma Cristofolini, apesar dessa pauta não ter sido apresentada oficialmente.

Pontos de bloqueio seguem na casa da centena

Santa Catarina seguia com mais de 100 pontos de bloqueio no oitavo dia de paralisação dos caminhoneiros.

Embora cerca de 40 pontos entre rodovias federais e estaduais tenham sido liberados na manhã de segunda-feira (28), o estado seguia ainda com mais de 130 trechos bloqueados, de acordo com a Secretaria de Estado da Defesa Civil, que repassou as informações em coletiva de imprensa.

Segundo o secretário Rodrigo Moratelli, mesmo sem uma previsão para o fim dos bloqueios no estado, o diálogo entre o movimento dos caminhoneiros e o governo é tranquilo, o que torna a negociação de liberação de cargas específicas mais proveitosa.

Com o abastecimento de combustível garantido para aeroportos, a negociação agora é para garantir o transporte de ração para animais no Oeste. “Nossa prioridade é manter a ordem pública e garantir o funcionamento dos principais serviços públicos”, afirmou.

Ainda de acordo com Moratelli, há alguns setores com maior dificuldade em Santa Catarina, como é o caso do abastecimento de ração para animais, mas ressaltou que, até o momento, não há nenhuma região ou município em situação crítica generalizada.

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