Embora o Natal não seja celebrado no Budismo, existe uma palavra que define o momento vivido pelos cristãos e que representa o alcance da tão almejada paz: respeito. A Soka Gakkai, uma organização de leigos que seguem os ensinamentos do Buda Nitiren Daishonin, tem como princípios paz, educação e cultura. Segundo a coordenadora da Divisão Feminina Sub Santa Catarina da Brasil Soka Gakkai Internacional (BSGI), Marilene Kostetzer, a relação com a data baseia-se no respeito, até porque acontece de nem todos os integrantes de uma mesma família serem budistas. Ela diz que um texto baseado nas escrituras de Nitiren Daishonin explica essa relação com as celebrações natalinas. Exatamente por ser uma filosofia de paz e respeito ao semelhante, o budismo traz em sua essência a prática de respeitar as tradições e culturas de um povo ou uma sociedade. Isso fica bem claro, por exemplo, quando Nitiren Daishonin escreve que mesmo que se tenha que adaptar um pouco os ensinamentos budistas, é melhor evitar ir contra os hábitos e costumes do país. “Esse é o preceito exposto pelo buda. Dessa forma, conclui-se que, respeitar outras cerimônias e tradições religiosas, ou mesmo um budista aceitar que, por exemplo, um parente não budista que conviva junto monte uma árvore de Natal, inclui-se nesse conceito”, destaca. Por outro lado, pelo fato do Natal e suas manifestações, árvores e enfeites, serem tradições essencialmente cristãs, é um contrassenso uma família budista adotar essas tradições como sua, mesmo que temporariamente. A vice-líder da organização em Jaraguá do Sul, Fátima Pereira Pinto, destaca que, pelo budismo ser uma religião oriental, o primeiro passo é respeitar a cultura de cada país. “O domingo, por exemplo, é cristão. Foi deixado para que a pessoa descansasse e a gente caminha junto com a sociedade. O budismo não caminha sozinho. Nós não trabalhamos aos domingos, justamente por essa cultura”, explica.
"Na minha família todos são budistas, por isso não faço árvore de Natal", contou Fátima | Foto Eduardo Montecino/OCP
Fátima conta que seus filhos estudavam em escolas que só falavam sobre a religião cristã. No final do ano, havia árvore de Natal, Papai Noel, e, como eles não deviam ser excluídos da sociedade, não eram proibidos de participar. “No entanto, na minha família todos são budistas, por isso não faço árvore de Natal, nem ceia, não tenho preocupação de ficar trocando presentes. Mas, vamos supor que eu seja convidada para uma celebração natalina, comer um churrasco, tomar uma cervejinha, não tem problema nenhum”, relata. “O que nós mais prezamos é o primeiro dia do ano, quando fazemos um planejamento para o ano todo”, complementa Marilene. LEIA TAMBÉM: - Na doutrina espírita, viver o sentido do Natal é estudar e aprender as lições que Jesus nos passou Para os católicos, o Natal é tempo de encontrar Jesus através das celebrações -  Para os luteranos, a reflexão sobre o Natal começa já no Advento