A difícil espera por um leito de UTI, a angústia de não tê-lo disponível, a expectativa por receber notícias, sejam elas boas ou ruins, e a incerteza do que viria pela frente foram vivenciados de perto pela família do morador de Chapecó, André Fernando da Silva, de 41 anos.

Ele faz parte do alto número de pacientes que precisou de transferência do Oeste catarinense devido à falta de leitos disponíveis nas Unidades de Tratamento Intensivo (UTI) para o tratamento da Covid-19.

Com um leito disponível no HSJosé de Criciúma, André veio intubado para o hospital no dia 19 de fevereiro e, nesta terça-feira, dia 16 de março, retorna à sua cidade, recuperado.

André foi o primeiro paciente transferido de Chapecó (neste período onde houve um aumento significativo de casos de coronavírus no estado) a receber alta.

“Eu peguei Covid no dia 5 de fevereiro e o André fez o teste no dia 7 e também estava com a doença. Ele só foi piorar no 13º dia, e aí levamos ele ao hospital. De lá ele não voltou mais, o quadro piorou e ele precisou ser intubado e não tinha leito de UTI disponível. Foi um desespero total, não sabíamos o que fazer, como agir. A cada ligação era uma piora no quadro dele, uma situação diferente”, comenta a esposa Ivanete Neres da Silva.

O único leito de UTI disponível era no Hospital São José.

“Antes da internação assinamos um termo autorizando a transferência dele para qualquer local que houvesse leito para Covid disponível. Só soubemos da transferência dele quando ele estava vindo para Criciúma. Foi um misto de medo, mas de bastante esperança. Foram dias muitos difíceis, mas que, graças a Deus chegaram ao fim”, enaltece Ivanete.

André teve alta da UTI no dia 11 de março e nesta terça recebeu alta.

“Nós só temos a agradecer a Deus e todo o carinho que recebemos aqui no hospital. Digo que, aqui, vocês não têm médicos ou enfermeiros, mas sim anjos que trabalham para ajudar as pessoas. Se hoje estamos indo para casa, para ficar ao lado da nossa família, especialmente dos nossos filhos (Pâmela de 21 anos, Anderson de 17 anos e Pietra de 9 anos), é porque todos nos ajudaram. A partir de hoje, é uma vida nova”, garante a esposa.

Fotos: Divulgação Hospital São José