Faltando um mês para o ano novo, alguns projetos vão tomando forma. É nessa época também que muitos aproveitam para desapegar e promover atitudes solidárias, prática que pode beneficiar outras pessoas. É o caso, por exemplo, de quem possui livros e revistas se acumulando e ocupando espaço em casa. Todo o material de leitura que não vem sendo revisitado com tanta frequência pode ser doado para a Biblioteca Pública Municipal Rui Barbosa, que está em plena campanha de arrecadação. De acordo com a chefe da biblioteca, Jeniffer Stephani, os livros e revistas doados servirão para dar continuidade aos projetos gratuitos de incentivo à leitura, como o “Biblioteca Convida”, na Praça Ângelo Piazera, e o “Leitura no Terminal”. No primeiro, 20 livros são depositados na casinha (réplica da biblioteca localizada bem próxima ao museu) para que qualquer pessoa possa pegar e levar para casa. A reposição é feita às segundas, quartas e sextas-feiras à tarde. “A ideia é que quem se interessar por um livro leve-o para ler. Algumas pessoas também aproveitam para doar alguma obra, deixando-a ali. Quando isso acontece, trazemos a doação, catalogamos e devolvemos ao local para que outra pessoa possa aproveitá-la”, revela. Livros de variados temas e autores são depositados na casinha. Machado de Assis, Paulo Coelho, Stephenie Meyer são exemplos de escritores que podem ser encontrados no espaço. Quem tem o hábito de buscar obras literárias por meio do projeto, rapidamente se aproxima após a reposição. É o caso de Jorge Lisboa Celestino Junior, 37 anos, que vai ao local pelo menos duas vezes por semana. “Leio muito, especialmente agora que estou em situação de vulnerabilidade, por causa de doença. Tenho planos de, futuramente, adquirir uma bicicleta para carregar alguns livros e oferecer para as pessoas. Quando encontro aqui algum que não é o tipo de literatura que gosto, mas que serve para outra pessoa que conheço, levo e ofereço a ela. É importante que as pessoas apreciem e leiam”, ressalta. A pequena Letícia Dreher, sete anos, estava visitando o Museu Histórico Emílio da Silva junto ao pai, Marlon, 43 anos, quando descobriu o projeto Biblioteca Convida. Por gostar muito de ler, foi logo avaliar os livros e selecionar um para levar. O pai revela que não sabia que ali era possível pegar gratuitamente um exemplar. “É um projeto muito importante. Agora também sei que podemos doar livros aqui também, fazer essa troca. Achei muito bom”, opina. Já no terminal de ônibus, são oferecidos jornais e revistas de vários temas para que as pessoas que aguardam o transporte possam aproveitar o tempo para ler. Quem acessa o material pode levá-lo para casa ou devolvê-lo. “O projeto tem bastante adesão, o pessoal gosta. Por isso é importante que tenhamos estoque. Justamente por ter muita procura, temos bastante reposição para fazer e falta material”, analisa Jeniffer. A biblioteca abastece os expositores com os jornais todos os dias e às terças e quintas-feiras com revistas que trazem diversos assuntos. Fernando Germano, 42 anos, considera o projeto do terminal muito importante, pois incentiva as pessoas a terem contato maior com a literatura. “Às vezes a pessoa não tem tempo de ler em casa, mas está aqui esperando o ônibus e tem livre acesso ao jornal. Aí ela aproveita, é bem bacana. A leitura é muito importante para as pessoas se expressarem bem, conversarem melhor. É bom para ficar ligado nas notícias”, destaca. NOVOS PROJETOS EM 2018  Fim de semana é o dia em que as famílias aproveitam para levar as crianças a Biblioteca. Todo o segundo sábado do mês, às 10 horas, acontece a Contação de Histórias, projeto que deve ser ampliado para oficinas infantis no próximo ano. “Hoje, há uma agenda flexível para as escolas, mas, a partir do ano que vem, a intenção é montar um espaço fixo de oficinas de contação de histórias para crianças”, antecipa. No terceiro sábado do mês ocorre a Ciranda Literária, sempre às 10h. A próxima está marcada para 16 de dezembro. “Nós também estamos planejando projetos sociais nos hospitais que envolvam servidores e voluntários. Ainda precisamos ver juridicamente, mas está no nosso cronograma. Além disso, queremos participar mais ativamente em eventos de cultura”, garante a chefe da biblioteca. Um dos projetos que deverá ser ampliado é o Casulo, que transforma um ônibus em biblioteca itinerante e leva leitura aos bairros da cidade. O coletivo precisava de reforma antes de o projeto ser retomado. “Uma vez por mês faremos um roteiro em cada bairro, emprestaremos o livro e dali a 30 dias voltamos para recolher”, explica Jeniffer. FAÇA SUA DOAÇÃO  Para doar, basta ir até a Biblioteca Pública (localizada na avenida Getúlio Vargas, em frente ao shopping) com o material e preencher um termo simples de doação. Também é possível depositar na caixinha de coleta. “Livros e revistas infantis, didáticos e dos mais diversos temas podem ser doados. Muitos alunos com dificuldades financeiras nos pedem material para estudos”, revela Jeniffer.
Para doar, é possível depositar na caixinha de coleta | Foto Eduardo Montecino/OCP