Quem mora em Joinville já deve ter ouvido falar das belezas e da calmaria da ilha localizada no Morro do Amaral, região Sudeste de Joinville. Mas o que muitos não sabem é que ela está desamparada. Na segunda-feira (27) a reportagem do Jornal de Joinville esteve no local. Além da estrada cheia de buracos - o caminho é feito pela avenida Kurt Meinert, no bairro Paranaguamirim - o único restaurante que fica na beira do mar estava fechado, pois só abre nos finais de semana e nos feriados. A profissional de Marketing, Cleide Vieira, 44 anos esteve no local acompanhada da amiga Rejane Giesel Tamanini, 45 anos, e da sua filha de quatro patas, a Babalu. “Sinceramente, achei um local que poderia ser uma excelente opção de lazer para quem mora em Joinville, já que somos ainda muito carentes de espaços ao ar livre para curtir com nossos pets, amigos e familiares. No entanto, o Morro do Amaral está abandonado, sem sinalização, sem infraestrutura. Nós merecemos que um local bacana como esse seja tratado como merece pelo poder público. Afinal, os impostos também devem ser direcionados para o lazer, assim como para saúde, educação e tantas outras frentes. Local aprazível, mas precisa ser cuidado”, disse Cleide Vieira.
Cleide com sua amiga Rejane, e a Babalu filha de quatro patas ficaram sem almoço | Foto Arlei Zimmermann/Jornal de Joinville
Ela foi ao local com a intenção de almoçar, mas o único restaurante que fica de frente para o mar, o Bela Vista, estava fechado. “Eu também não conhecia este lugar, só tinha ouvido falar que era muito lindo. Como adoro frutos do mar, vim com a intenção de almoçar, mas não deu”, lamenta Rejane. “Morro do Amaral, sem condições de alavancar o turismo, precisa melhorias no local, desde sinalização”, cobra Tamanini. A proprietária do Restaurante Bela Vista, Angela Regina de França, 57 anos, é apaixonada pelo Morro do Amaral. Conta que mora ali há mais de 20 anos. “Isso aqui é uma fartura. Temos o que quiser. Se quisermos comer camarão, peixe, lula, marisco, qualquer fruto do mar é só irmos ali no mar e pegarmos”, revela.
Proprietária do Restaurante Bela Vista, dona Angela Regina é apaixonada pela ilha | Foto Arlei Zimmermann/Jornal de Joinville
Segundo ela, o restaurante abre somente finais de semana e feriados, porque são os dias que têm movimento. “Quer ver no verão, isso aqui enche”, comemora. Outra apaixonada pelo local é a sua funcionária, Débora Luiz Nergebom, 24 anos. “Nasci aqui, amo esse lugar”, disse. A filha Sofia, de apenas quatro anos, também gosta do lugar.
Débora e sua filha Sofia nasceram no Morro do Meio | Foto Arlei Zimmermann/Jornal de Joinville
Segundo a assessoria de imprensa da Prefeitura, por enquanto não existe nenhum projeto de turismo no Morro do Amaral Quanto ao difícil acesso, já que a estrada está cheia de buracos, a assessoria informou que as máquinas vão com frequência no local, mas cada vez que chove o problema retorna. Como chegar no Morro do Amaral e um pouco da sua história O Morro do Amaral é uma área de preservação natural. A localidade antes se chamava Riacho Saguaçu. A partir de 1935, passou a adotar a denominação de Morro do Amaral. A região tem quatro sambaquis identificados.
Morro do Amaral ainda preserva as tradições e jeitos de uma vila de pescador | Foto Arlei Zimmermann/Jornal de Joinville
O Parque Municipal da Ilha do Morro do Amaral foi criado por decreto municipal em 1989. Sua área corresponde a 2,7 km² e localiza-se às margens da baía da Babitonga, na saída da lagoa do Saguaçu. Antes mesmo de a Colônia Dona Francisca surgir, segundo historiadores, já havia moradores na comunidade, hoje chamada de Morro do Amaral. O nome Morro do Amaral faz referência à família Amaral, que na década de 1930 vivia ali e era dona das terras. De acordo com a professora da Univille e historiadora Elizabete Tamanini, que já fez pesquisas e acompanha a região, "a comunidade teve seus traços culturais vinculados à imigração lusa e açoriana". O Morro do Amaral é uma ilha que fica na área rural de Joinville. O acesso é feito pela avenida Kurt Meinert, no bairro Paranaguamirim. O nome Morro do Amaral faz referência à família Amaral, que na década de 30 vivia ali e era dona das terras. Desde 2014 o local foi transformado na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Ilha Morro do Amaral. Com quatro sítios arqueológicos, igreja tombada como patrimônio histórico, a colonização na Ilha do Morro do Amaral é muito mais antiga do que a de Joinville. O Morro do Amaral fica 16 quilômetros do Centro de Joinville, e ainda preserva as tradições e jeitos de uma vila de pescador.
Igreja tombada como patrimônio histórico |  Foto Arlei Zimmermann/Jornal de Joinville