Por: Heloísa Jahn A mesma cautela e amor que Paulo Victor Krueger, 26 anos, emprega em cada uma de suas receitas é passada para um de seus principais amores: a dança. O cozinheiro e também bailarino pôde se dedicar a essa linguagem artística apenas na idade adulta e hoje exerce um papel importante no resgate da cultura alemã na cidade. Ele encabeça o grupo de danças Der Weg Tanzgruppe, que começou a dar os primeiros passos no fim de semana passado. O diferencial de Paulo dentro da tão difundida dança folclórica é a relação com as referências históricas, que imprimem características fundamentais para o trabalho. “Na antiguidade o povo do Norte e do Sul da Alemanha aguerriram entre si e muito sangue foi derramado. Hoje muitos dançarinos deixam esse fato de lado e eu não acho correto usar um traje do Norte para dançar uma dança do Sul, por exemplo”, explica. O bailarino busca ser o mais fiel possível a história e aos costumes do local onde a coreografia e música alemã foram elaboradas. “As coreografias vêm prontas da Alemanha e nossa função, enquanto coordenador de dança, é repassá-la e adequá-la a proposta do grupo”, enfatiza. Os figurinos também são pensados minuciosamente para que as características sejam bem representadas. Alguns deles são confeccionados pelo bailarino, que tem paixão por cuidar de cada um dos detalhes que envolve esse universo da dança alemã. Foi por isso que ele fundou o Der Weg Tanzgruppe, que significa “Grupo de Danças o Caminho”. “Chamei assim porque é o caminho para jamais esquecermos aqueles que há tantos anos deixaram suas origens e famílias em busca de novos sonhos e realizações. Aqui chegando tiveram que se adaptar ao clima, relevo e cultura. Com muita determinação e trabalho transformaram todo o Sul do Brasil, deixando-nos uma história de luta e honestidade”, diz o bailarino, reforçando que o grupo surgiu homenagem àqueles que colonizaram a cidade e região. Aproximação ao longo dos anos Natural de Blumenau, o bailarino tem contato com a cultura de seus antepassados desde a infância. Fala alemão fluentemente e ainda criança indicou a vontade de participar de grupos de danças folclóricas. Porém, só teve a chance de fazer isso aos 19 anos e lembra da data até hoje: 20 de março de 2009. “Fui convidado por uma amiga para assistir a um ensaio e me senti completo. Por cinco meses dancei em um grupo de Blumenau e depois me mudei para Jaraguá do Sul”, lembra Krueger. Assim que veio para a cidade, tratou de procurar locais e grupos para dançar e desde então vem se especializando no gênero. “Depois de seis meses dançando aqui, comecei meus trabalhos como coordenador, fiz cursos e me aprofundei nos estudos. Foi quando eu descobri o que realmente é a cultura”, conta. O grupo folclórico iniciou as atividades no domingo, mas segue aberto para participação de novos bailarinos. Quem tiver interesse, pode comparecer aos ensaios que acontecem sempre nos domingos , às 18 horas, no Galpão da Dança. Mais informações também pela página no facebook