A R3 Animal, que atua no Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS), recebeu um novo paciente envolto em mistério. Trata-se de um albatroz-de-sobrancelha-negra (Thalassarche melanophris), encontrado em uma plantação de arroz, na cidade de Rodeio, no Médio Vale do Itajaí, em Santa Catarina.

O que deixou a equipe do R3 Animal intrigada é como uma ave oceânica foi parar no interior do Estado, a cerca de 100 quilômetros da costa.

Acionada por um casal de agricultores, a Polícia Ambiental de Blumenau resgatou o albatroz do arrozal, no dia 16 de março, e o trouxe para o Centro de Pesquisa, Reabilitação e Despetrolização de Animais Marinhos (CePRAM), em Florianópolis.

Ave estava a cerca de 100 quilômetros da costa | Foto Nilson Coelho/R3 Animal/Divulgação

“Haviam nos avisado que estavam trazendo uma gaivota, mas assim que o retiramos do carro, logo observamos aquele bico com quase um palmo de comprimento”, conta o médico veterinário Sandro Sandri.

Febril e estressado

De acordo com a médica veterinária Janaina Rocha Lorenço, o albatroz é um indivíduo juvenil e chegou febril, estava um pouco estressado, com penas quebradas e gastas, e com presença de parasitas nas fezes. Ele foi medicado e já está ativo, impermeável e em processo de ganho de peso, além de fisioterapia diária.

Os albatrozes são aves oceânicas, passam a maior parte da vida em regiões de mar aberto em busca de alimento. Algumas espécies podem passar dos 60 anos de idade.

Albatroz chegou febril, estava um pouco estressado | Foto Nilson Coelho/R3 Animal/Divulgação

Elas só procuram terra firme para fazer seus ninhos e alimentar seus filhotes, em ilhas distantes, geralmente no extremo do hemisfério sul e na Antártida, como as Ilhas Malvinas/Falklands, Gough, Geórgia do Sul e Tristão da Cunha. Podem atingir cerca de 2 metros de envergadura e se alimentam de lulas, sardinhas e krills (animais invertebrados da família dos camarões).

O CePRAM fica localizado no Parque Estadual do Rio Vermelho, unidade de conservação sob responsabilidade do Instituto do Meio Ambiente (IMA-SC), em parceria com a Polícia Militar Ambiental.

O que é PMP-BS

O Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS) é uma atividade desenvolvida para o atendimento de condicionante do licenciamento ambiental federal das atividades da Petrobras de produção e escoamento de petróleo e gás natural no Polo Pré-Sal da Bacia de Santos, conduzido pelo Ibama.

Os albatrozes são aves oceânicas | Foto Nilson Coelho/R3 Animal/Divulgação

 

Esse projeto tem como objetivo avaliar os possíveis impactos das atividades de produção e escoamento de petróleo na Bacia de Santos sobre as aves, tartarugas e mamíferos marinhos, através do monitoramento das praias e do atendimento veterinário aos animais vivos e necropsia dos animais encontrados mortos.

O PMP-BS é realizado desde Laguna/SC até Saquarema/RJ, sendo dividido em 15 trechos. Em Florianópolis, o Trecho 3, o projeto é executado pela R3 Animal.

 

Receba as notícias do OCP no seu aplicativo de mensagens favorito:

WhatsApp