A expectativa de vida do brasileiro vem aumentando devido a um conjunto de fatores. Hoje, já ultrapassa os 70 anos no país, chegando a 75,3 em Santa Catarina, o índice mais alto do Brasil. O segredo, que passa pela genética, está ligado aos hábitos saudáveis, incluindo nessa lista os exercícios físicos. Além dos benefícios relacionados ao corpo, a atividade física na velhice oferece um bônus de suma importância para quem busca qualidade de vida: a socialização. Toda a segunda e quarta-feira, entre 8h e 10h da manhã, uma turma muito animada treina voleibol sob o olhar atento da professora de educação física Luana Mateus. De longe, é possível ouvir as manifestações entusiasmadas dos atletas em quadra, que aplaudem, gritam, comemoram e se entregam a muitas gargalhadas. O diferencial dessa turma? Todos possuem idade superior a 50 anos, alguns já passaram dos 70. O aposentado Rudibert Roweder, 60 anos, foi o primeiro que se dispôs a fazer parte da equipe quatro anos atrás. Segundo conta, na infância sonhava em entrar no ônibus e viajar com uma delegação para representar Jaraguá do Sul em competições, uma conquista que agora é muito celebrada por ele. “Não imaginava que conseguiria, mas agora já foi, já realizei, e foi através do projeto”, aponta. Para ele, o vôlei é sinônimo de vida saudável e a possibilidade de fazer muitas amizades. “Quando comecei, morava na Vila Nova, agora estou morando em Nereu (Ramos), mas venho toda a semana treinar aqui. Quero continuar até quando der”, afirma. Rudibert diz que depois que passou a jogar sua condição física melhorou muito. “Estou com os exames em dia, principalmente o HDL (colesterol), que era muito alto. O médico disse que hoje tenho saúde de guri”, garante, aos risos. Iracema Moreira Bäumle, 75 anos, e o esposo, Ernesto, 74, também fazem parte da equipe. Ela recorda que nunca brincou com a bola na infância e seu primeiro contato com o vôlei foi no projeto. “Mas, como participávamos do Centro de Convivência, resolvemos entrar para praticar um exercício físico. É ótimo para a saúde, distrai, e a gente rindo já está bom, porque eu venho mais para me divertir, dou muita bola fora”, admite, às gargalhadas. Iracema não costuma acompanhar o grupo nas competições, pois não se considera boa jogadora, mas garante que o mais importante é fazer amigos. Christiano Goulart Machado, coordenador do CEU Mestre Manequinha, local onde a turma treina, explica que o projeto de vôlei para idosos foi criado há quatro anos. O grupo reúne aproximadamente 25 homens e mulheres com mais de 50 anos e teve início por meio do Projeto Evoluir, da empresa Marisol, que já contemplava crianças. A empresa apoia a iniciativa, que atualmente conta com o suporte da Secretaria de Cultura, Esporte e Lazer e da Secretaria de Assistência Social. Tem também o patrocínio da Farmácia Receituário Magistral e o apoio da ONG Amigos em Ação, que custeia a contratação da professora Luana. O coordenador do CEU salienta que há uma integração muito grande entre os participantes, que já estiveram em competição estadual. O time esteve em Brusque, Balneário Camboriú e Itajaí. De acordo com Machado, o objetivo agora é formar uma equipe para representar Jaraguá do Sul nos Jogos Abertos da Terceira Idade (Jasti), para atletas acima de 60 anos, em 2018. “Ninguém aqui é ex-atleta. São pessoas que quiseram fazer uma atividade física e escolheram o voleibol. Temos duas ex-professoras que tinham um pouco mais de conhecimento desse esporte, mas o restante são pessoas que vieram aprender”, evidencia o coordenador. Oportunidade de inserção na comunidade Gary Trometer, 61 anos, de Chicago, Estados Unidos, está no Brasil como missionário na Igreja Batista. Ele conta que por ficar em casa estudando ou com o pessoal da igreja, não tinha contato com outras pessoas. “O esporte me trouxe essa possibilidade de sair na comunidade e ganhar exercício também”, diz. Ele conta que o seu contato com o esporte foi retomado com muito entusiasmo em Jaraguá do Sul. “Já fui convidado para atuar no basquete no ano que vem”, salienta. A professora de educação física Luana Mateus acompanha a turma há quatro meses. Ela ressalta que para os alunos, que nunca jogaram vôlei, a evolução é muito grande desde que passou a treiná-los. “Antes, por exemplo, eles não saíam do lugar, agora eles saem, estão conseguindo bater mais, estão tendo mais confiança neles mesmos, pelo fato de estarmos incentivando e cobrando mais. Eles têm muita garra, vontade, são animados”, expõe. Luana observa que além do esporte beneficiar o corpo, traz melhorias para a vida. “Eles (os idosos) olham o esporte de uma forma diferente e incentivam outras pessoas a virem. Isso é muito bom. Chovendo ou ventando, eles estão aqui. É muito difícil não haver número suficiente para duas equipes jogarem”, destaca a professora. O vôlei adaptado possui três categorias: a Máster (50 a 59 anos), a Sênior (60 a 69 anos) e a Biso (acima de 70 anos). O coordenador diz que o nível técnico do grupo vem avançando e há espaço para mais 20 a 30 idosos. “Seria interessante separar homens e mulheres, que hoje jogam juntos”, diz. No próximo ano, a intenção é montar equipes de baquete e handebol para idosos. Confira as fotos: