Foto Rovena Rosa/Agência Brasil
Foto Rovena Rosa/Agência Brasil

As 18 vagas disponibilizadas na Casa de Passagem estão, quase sempre, ocupadas. O fluxo de pessoas que utilizam o espaço é grande em Jaraguá do Sul, afirma a secretária de Assistência Social e Habitação, Maria Santin Camello.

Segundo os dados da secretaria, o número de atendimentos a pessoas em situação de rua aumentou 84% considerando os dados de fevereiro de 2018 e deste ano. Enquanto no ano passado foram atendidas 26 pessoas, neste foram registrados 48 atendimentos.

De acordo com o chefe de planejamento e vigilância sócio assistencial, André de Carvalho Ferreira, destes 48, apenas uma pessoa é imigrante.

Os dados acumulados entre maio e dezembro de 2018 também demonstram o crescimento no número de pessoas em situação de rua na cidade e apontam um “perfil”.

Das 248 pessoas atendidas, 224 eram homens e a maioria com idade entre 25 e 59 anos. Imigrantes foram apenas sete e os bairros com maior incidência foram o Centro, Jaraguá Esquerdo e Nova Brasília.

Para a secretária, o aumento no número de moradores em situação de rua se dá devido a procura por qualidade de vida, levando a migração dentro do próprio país.

“As pessoas estão vindo porque sabem que há oportunidades, emprego, buscam uma cidade mais segura e isso tem criado uma demanda muito grande”, afirma.

O chefe de planejamento destaca que a maior concentração está no Centro porque é onde há também mais movimento, mas as abordagens são realizadas em toda a cidade.

A secretaria tem se esforçado em criar uma campanha para tentar frear a doação espontânea e direta de dinheiro, explica Maria.

Ela ressalta que é fundamental que as pessoas não deem dinheiro àquelas que estiverem nas ruas porque, segundo ela, isso dificulta o atendimento especializado da equipe técnica do município.

“A esmola acaba impedindo o nosso trabalho de ir lá e conscientizar essa pessoa para que realmente possa ter o atendimento, para que possamos dar o encaminhamento, dificultando assim o trabalho de abordagem social”, enfatiza.

Ferreira complementa explicando que apesar de haver um serviço especializado de abordagem social, “se a pessoa quiser permanecer em situação de rua, ela pode e nossa comunidade ainda não tem essa cultura, esse olhar para isso”, diz.

O chefe de planejamento da secretaria endossa a fala da secretária. “Estamos trabalhando principalmente para que os jaraguaenses tenham consciência que o doar não é o melhor caminho. A assistência social possui uma equipe especializada para trazer oportunidades para aquela pessoa”, salienta.

Acolhimento e oportunidades

Embora hoje não exista um programa de encaminhamento à moradia popular para essas pessoas, a secretária diz que, o que existe, é o acolhimento na Casa de Passagem onde, em geral, as pessoas podem permanecer cinco dias com possibilidade de estender esse prazo dependendo de cada caso e ainda o encaminhamento, via parceria com o Sine, para o mercado de trabalho.

“O trabalho da assistência social é dar suporte para essas pessoas, tirar ela da rua, articular toda a rede dos serviços que temos para dar um destino a elas. A gente faz um trabalho em rede sim, não é só tirar a pessoa, levar lá, dar banho e comida e mandar embora. Tudo que é possível dentro da assistência social, a gente oferece pra eles também”, ressalta.

Uma dessas pessoas acolhidas na Casa de Passagem é o jovem Leandro de Lima Moraes, 22 anos. Natural do Paraná, ele conta que está em Jaraguá do Sul há cerca de cinco anos e que, neste tempo, passou por abrigos em Guaramirim, pela rua e também pela Casa de Passagem de Jaraguá do Sul onde, desta vez, está há três semanas.

Sem estrutura familiar próxima – saiu de casa aos 17 anos e a mãe morreu recentemente – ele ainda tenta conhecer e encontrar o pai que, segundo informações obtidas por ele, mora na região metropolitana de Curitiba.

Para Ferreira, o poder público tem implementado políticas públicas para o encaminhamento e atendimento digno às pessoas em situação de rua, mas ele vê também que a comunidade jaraguaense não tem, culturalmente, o preparo para lidar com esse novo contexto vivido pela cidade.

Contatos para notificação

Creas Nova Brasília

  • Telefone: 3275-2343.

Casa de Passagem

  • Telefone: 3371-1534.

Ouvidoria Prefeitura

  • Telefone: 0800-0156.

 

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