Atentos ao presente e orientados para o futuro, a edição do O Correio do Povo de hoje propõe um pontual e oportuno olhar ao passado. Propositalmente estampamos um visual característico buscando retratar, em seu conteúdo e imagens, essa viagem de volta. Registramos hoje 97 anos de existência, dando início à contagem regressiva ao centenário, que será dignamente celebrado numa futura sexta-feira de 10 de maio de 2019. Por hora, brindamos orgulhosamente essa data especial com nossos 40 mil leitores diários, parceiros anunciantes, fornecedores e colaboradores. Como periódico mais antigo em circulação do Estado de Santa Catarina, o atual OCP, multi plataforma de comunicação, nasceu num momento contextual da história brasileira em que imperava a chamada República Velha (1889 - 1930). Como qualquer jornal da época, o OCP, fundado em 10 de maio de 1919, por Venâncio da Silva Porto, também sofreu as irreparáveis consequências do insano Decreto 85, de 23 de dezembro de 1889. Diga-se de passagem, o teor desse Decreto determinava que “os indivíduos que conspirassem contra a República e seu governo, aconselhando ou promovendo por palavras, escritos ou atos, a revolta civil ou a indisciplina militar, seriam julgados por uma comissão militar e punidos com as penas militares de sedição”. Fundamentava-se aí a danosa repressão à liberdade de expressão social e, em particular, à liberdade de imprensa, e essa, por sua vez, cerceada completamente por ocasião do golpe de estado de 1937. Mas o mundo evoluiu e hoje, num retrospecto muito breve, poderíamos sintetizar que: as ditaduras passaram, embora parcos manifestos proclamem vossa glória e retorno, o que atribuo à falência de memória decorrente da idade; instituições importantes como imprensa livre e democracia seguem se consolidando; e, por fim, o momento atual é de renovação e transição para um país mais ético, mais democrático e mais viável. Bravamente o OCP resistiu e segue testemunhando, registrando e sendo autor principal de nossa história regional, orientado em sua missão de promover o desenvolvimento social, cultural, político e econômico do Vale do Itapocu. Somos cônscios de que o presente e o futuro nos impõem desafios preponderantes para continuidade e sucesso da tarefa de informar. A coerência da narrativa e relevância do conteúdo já são prerrogativas elementares. Os atuais e críticos consumidores de informação anseiam por algo a mais. Portanto, urge absorvermos e dominarmos a nova dinâmica da comunicação multi plataforma num panorama de convergência midiática. Projetando essa visão, significa dizer que o novo jornalismo que perseguimos continuará, sim, com sua missão de informar com credibilidade, responsabilidade e liberdade, porém, deverá transcender a prática de fornecer notícias e incorporar, sob perspectiva transformadora, o propósito de ser agente formador de opinião e promotor de meios legítimos para uma sociedade mais evoluída.