Artigo de Nelson Luiz Pereira - Uma AMA que clama

Artigo de Nelson Luiz Pereira - Uma AMA que clama Artigo de Nelson Luiz Pereira - Uma AMA que clama

Cotidiano

Por: OCP News Jaraguá do Sul

sexta-feira, 06:25 - 16/09/2016

OCP News Jaraguá do Sul
Estima-se que no Brasil, o contingente de portadores do TEA - Transtorno do Espectro Autista, tenha ultrapassado os dois milhões. Embora se verifiquem pesquisas e esforços científicos nesse campo, metade desse contingente, aproximadamente, ainda carece de diagnóstico. Especialistas sustentam que o autismo consiste numa complexa síndrome que compromete, basicamente, três importantes áreas do desenvolvimento humano: comportamento, comunicação e socialização. Em que pese a limitação da ciência em identificar as reais causas do autismo, penso que a conscientização, sabedoria e ações coletivas podem fazer a real diferença. Enquanto a ciência não ultrapassa a fronteira do desconhecido, o grande desafio e diferencial repousa no diagnóstico precoce de observação, conjugado com digno e competente acolhimento, tratamento e processo de inclusão social. Portanto, ouso provocar que o ponto de partida dessa jornada é transcender a tradicional perspectiva social de entendimento e aceitação do autismo. É uma patologia? É um transtorno neurológico? Ou é uma maneira diferente de ser, sentir e agir? Amparada nessa compreensão, a contribuição da sociedade poderá ser mais efetiva e produtiva. O passo imediatamente seguinte, não menos importante e urgente, é a ação. Adentrando à nossa realidade, a AMA – Associação dos Amigos do Autista, de Jaraguá do Sul, fundada em 16 de setembro de 1991, selou com júbilo, no dia de ontem, uma caminhada de 25 anos. Sua nobre missão é “contribuir para a autonomia e inserção do autista, estando capacitada para o atendimento especializado em serviços de educação, saúde e assistência social, mantida pela ação de grupo voluntário, convênios e contribuição da sociedade”. No entanto, sua condição de entidade sem fins lucrativos tem, ultimamente, transformado sua missão numa “via-crúcis”. Hoje, com seu espaço e estrutura limitada, a AMA acolhe com dignidade e competência, 89 portadores de autismo, suplantando sua capacidade instalada. Mas há um drama a ser evidenciado e compartilhado com a sociedade: existem 40 portadores diagnosticados em fila de espera. Compreensível que os recursos financeiros, tecnológicos e humanos, em todas as esferas, sempre sejam escassos. Por outro lado, estejamos cônscios de que esse déficit de 40 portadores em fila de espera traduz uma fragilidade de inclusão, que não se coaduna com o padrão de sociedade jaraguaense. Oportuno salientar que essa luta não pode se restringir a uma entidade, ela é uma missão comunitária, pertence a todos. Muito já se fez, mas muito ainda há por fazer. A AMA clama. Um coração azul que clama por capacidade de acolhimento. Que clama pela expansão e capacitação de sua missão. Enfim, que clama pela compreensão social de que, servir é o único propósito que dá sentido a nossa condição de humanos.        
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