Orgulhosamente celebramos mais um aniversário de nossa Jaraguá do Sul. Naturalmente, sempre que nos reportamos à idade cronológica, somos induzidos a uma reflexão acerca do que conquistamos ao longo da caminhada, bem como, de onde nos encontramos. Isso também vale para uma cidade, se entendida como sistema social que, na condição de organismo vivo, assume um sentido de construção coletiva. Então, por essa perspectiva, uma cidade é, em essência, um pouco de cada um. Esse um pouco de cada um, é o que vai moldando a identidade, o caráter e o tamanho da cidade. Faz-se oportuno aqui, um breve testemunho: Embora resida há 38 anos, não sou natural de Jaraguá do Sul. Morei em algumas cidades catarinenses. É comum amigos de fora me perguntarem qual o tamanho de Jaraguá. Invariavelmente minha resposta é: “bem amigo, particularmente sinto que minha cidade é bem grande”. Então, despretensiosamente me omito de quaisquer números que possam traduzir dimensão física, e arremato com um reflexivo argumento complementar: “toda cidade é do tamanho do coração daqueles que a habitam”. Logo, para mim, “Jaraguá é gigante”. Obviamente os indicadores estruturais de caráter econômico, social, político e cultural, são determinantes para dimensionar e qualificar uma cidade. No entanto, não determinam, necessariamente, sua grandeza. Penso que grandeza de uma cidade é uma percepção particular que deriva do sentimento de “pertença”. Significa dizer que, não basta compor parte, mas sim, fazer parte ativamente, estar inserido, construir e ser construído. Quer aceitemos ou não, a verdade é que, transformar uma cidade não é tarefa exclusiva do poder público, diga-se de passagem. Há os que “moram” numa cidade e há os que “são” de uma cidade. Seja pessoa física ou jurídica, facilmente identificam-se os que “são” de uma cidade observando-se o padrão de conduta. Esses, comumente dotados de senso coletivo e cidadania, manifestam sábias atitudes contributivas que vão desde, plantar uma árvore, não sujar as ruas e praças, não poluir, reciclar seu lixo, cuidar de sua calçada, denunciar o vandalismo, respeitar a faixa de pedestres, dar carona ao colega de trabalho, doar parte de seu tempo a um voluntariado, cobrar e fiscalizar o poder público participando das seções da câmara... até promover investimentos em instituições visando o desenvolvimento e o bem comum. Esses entendem que, transformar uma cidade é uma missão coletiva. Portanto, minha querida Jaraguá do Sul, és digna de um pouco de cada um. Assim, continuarás sendo vibrante e, “não haverá quem te suplante”.