Confesso que, como crítico de futebol, sou muito mais amador do que, outrora, dominando uma bola. Reconheço também que, como torcedor, "vestir a camisa" tem para mim, um reticente conceito, e isso, por três motivos fundamentais: primeiro, por uma simples questão de custo, já que torço por vários times: São Paulo, Vasco, Criciúma, G.E. Juventus, Barcelona e, agora, solidário com a Chape. Ah, ia esquecendo, passei a nutrir também, uma ascendente simpatia pelo Cruzeiro de MG. Assim, estrategicamente, tendo representantes em todos os cantos e séries, sempre estarei emocionalmente bem quando o assunto for resultados no futebol. Segundo, porque jamais vestiria uma camisa de time para ir ao trabalho, a um culto, restaurante ou casamento, como bem recomenda o código do autêntico, ou fanático, torcedor. Terceiro, porque certamente eu expressaria aquele sorriso amarelo, caso recebesse uma dessas camisas como presente de aniversário, com o agravante de ser autografada. Portanto, esse perfil, seguramente, não me credencia a tecer qualquer crítica ou julgamento técnico sobre as recentes competições do futebol brasileiro, e isso inclui a Copa Paulista Sub-20. No entanto, por circunstância das férias, acabei acompanhando essa competição por volta das oitavas de finais em diante. Talvez tenha sido impressão minha, mas tive a particular sensação de que essa edição apresentou um status mais elevado em termos de mídia, patrocínio, público e até nível técnico. Como todos os meus times de jovens aprendizes sucumbiram pelo caminho, me restou "secar" o Flamengo e escolher um time para vê-lo campeão. Obviamente que, dada a semelhança com a camisa do São Paulo, escolhi o Paulista de Jundiaí, e também por vir apresentando surpreendente campanha. Como início de temporada, já me dava por quase satisfeito pelo fato do São Paulo ter enjaulado o Corinthians no charmoso clássico da Flórida, diga-se de passagem. Esperaria  então, a segunda glória esportiva, que caminhava a passos largos para a concretização, motivo oportuno para caçoar os amigos rivais torcedores com um irônico "viu como sou pé quente?". Só não contava com a "zoo interferência". Já vi todos os meus times serem derrotados por conta de frangos, perus, zebras, asnos. Para minha decepção o Paulista de Jundiaí se permitiu sucumbir, por conta de um "gato". Isso mesmo, um "gato" (termo para designar jogador que frauda a idade para jogar). De acordo com o UOL Esporte, "o jogador Brendon Matheus Araújo Lima dos Santos, do time sub-20 do Paulista, que encontra-se preso no Rio, seria na verdade,  Heltton Matheus Cardoso Rodrigues, que em 2017 completa 23 anos e teria atuado com a identidade falsa". Enfim, desse apito final,  o que nos fica é mais uma lamentável prova de que, nesse país, a corrupção é endêmica e generalizada. Mais um atestado da convicção de Karnal de que, "não existe governo corrupto numa Nação ética, como não existe governo ético numa Nação corrupta".