“Em fevereiro... em fevereiro, tem carnaval”. Analisando essa manifestação cultural pela perspectiva sociológica, não seria desmedido sustentar que todo cidadão brasileiro, quer aprecie ou não, traz consigo um pouco de carnaval como um arquétipo de sua identidade. Embora a remota origem do carnaval seja Europeia, estudos dão conta de que, no Brasil, as primeiras manifestações ritualísticas desse gênero surgiram no período colonial com o “entrudo”, festa típica advinda da colônia portuguesa praticada pelos escravos. Hoje o carnaval, forjado ao molde Brasil, é a maior festa popular do país e mundialmente reconhecida. Evidente que, por sermos um país de significativa dimensão e diversidade cultural, a folia tenha incorporado peculiaridades de cada região. Temos daí, o samba, o axé, o frevo, o maracatu, o boi-bumbá, retratando as mais populares expressões do conteúdo carnavalesco brasileiro.
Portanto, é possível sustentar que o carnaval constitui uma instituição social. E nessa condição, não se encontram motivos, argumentos, condições reais, tampouco possibilidades legais ou políticas capazes de extingui-lo, já que não há como se extinguir dança, canto, imaginação, quimera, sonho, fantasia, alegria, sensualidade, tampouco reprimir o instinto natural humano de subversão de papéis sociais. São elementos intrínsecos ao ser social, independentemente da cultura de cada sociedade.
Tomamos por amostra nossa realidade local. Temos em Jaraguá do Sul, basicamente, duas manifestações de carnaval: a Schützenfest e os blocos de samba, cada qual com seus ritos e mitos característicos. Logo, não podemos ignorar o fato de que, em essência, ambos são carnaval, em que pese seus distintos figurinos. É natural que sejam diferentes, mas inconcebível que sejam vistos como desiguais. Então, soa-me vago, reducionista, demagógico e preconceituoso, qualquer discurso que tenha o propósito de desqualificar ou enquadrar qualquer manifestação de carnaval,  em escala de prioridade ou grau de importância. O carnaval possui sentido e significados extrarracionais, consequentemente, é prudente que o entendimento deste, anteceda o vulgo protesto. Embora soe trocadilho, devemos considerar que, na dimensão carnavalesca, a realidade são as fantasias.  
Oportuna se faz aqui a visão do antropólogo Roberto DaMatta, ao sustentar que as fantasias “criam um campo social de encontro, de mediação e de polissemia social, pois, não obstante as diferenças e incompatibilidades desses papéis representados graficamente pelas vestes, todos estão aqui para brincar...unir-se, suspender as fronteiras que individualizam e compartimentalizam grupos, categorias e pessoas”.
Felizmente, guardadas as proporções de adesão e sustentabilidade, temos em Jaraguá do Sul duas principais e importantes manifestações carnavalescas, o que sinaliza uma sociedade evoluída.
Bom carnaval!