Os movimentos separatistas, independente de regime de governo, sempre existirão pelo mundo. Naturalmente esses movimentos ganham notoriedade em meio a crises econômicas, políticas ou sociais, cada qual com seu dinamismo, status ou desfecho, consoante às respectivas naturezas constitucionais. Confesso que o embrião dessas ideologias sempre me incitou curiosidade. Consumi considerável volume literário em busca de respostas justificáveis, muitas infundadas, poucas com sentido e relevância. Me convenci que o melhor conceito ou posição acerca desse tema é aquele desenvolvido por você próprio, a partir de pesquisas, interações, experimentações e vivências in loco. A propósito, meu hobby de viajar o mundo me permitiu conhecer quase que a totalidade do nosso país com suas ricas diversidades e mazelas. Mesmo reconhecendo nossas deficiências de caráter político, econômico e social, não identifiquei nada determinante que justifique dissidências. Como bom observador, cada vez mais me convenço de nossa condição peculiar enquanto espécie humana. Somos gregários por essência, destinados a viver em sociedade, porém, movidos pelos instintos da vaidade e do egoísmo. Queremos destaque e pertencer ao melhor grupo. Até aqui me parece concebível, uma vez que tais instintos, em dimensões razoáveis, até instigam o desenvolvimento coletivo. No entanto, quando estes ultrapassam a fronteira do racional teremos, por conseguinte, alguma ruptura da unidade social enquanto Nação. Antes de adentrarmos a raiz da ideologia separatista, proponho algumas considerações prévias reflexivas: Precisamos, de antemão, entender que é da consciência excessiva de “dogmas” que nascem o extremismo, o fundamentalismo. Como é da consciência acentuada de “classe” que nascem o comunismo, o socialismo. Assim, também é da consciência exacerbada de “região” que nasce o separatismo. Buscando identificar, então, a raiz histórica da ideologia sul separatista, encontrei no antropólogo Darcy Ribeiro, em sua obra intitulada “o povo brasileiro”, o melhor fragmento elucidativo. Sustenta ele que “por longo tempo, a atividade dos estancieiros fora aquerenciar o gado selvagem arrebanhado. Trabalhavam, sempre, com os olhos postos no horizonte, de atalaia contra ataques castelhanos. A larga faixa de fronteira indiferenciada, movendo-se conforme a pressão de um lado ou do outro, ameaçava mais a estância e a seu gado do que a pátria mesmo. Assim, cada estancieiro de um e outro lado da fronteira se faz um caudilho, entrincheirado em seu rancho com seus gaúchos, sempre pronto a engajar-se nas correrias que punham a salvo o seu rebanho”. Tem conexão, não tem? Enfim, pelo prisma de nossa realidade contextual, ouso projetar uma particular visão tridimensional para esta questão: antropologicamente tal ideologia tem seu fundamento; democraticamente tem assegurada sua manifestação; constitucionalmente não se sustenta.