Produtora de hortaliças no bairro Ribeirão Grande do Norte, a jaraguaense Eraci Krüger Meier, 44 anos, representa bem a versatilidade feminina, no âmbito da família, social e do trabalho. Além da atividade rural que desenvolve no sítio, e da atenção ao marido Helídio, 46 anos, e ao filho Sidnei Fabiano, 21 anos, ainda consegue destinar parte do tempo para presidir o Clube de Mães “As Bromélias” e cuidar da loja da Associação Clube de Mães, no Mercado Municipal. E não falta o que fazer. A propriedade rural da família fornece matéria-prima para a merenda escolar das unidades do município e atende a demanda de mais três supermercados da cidade. O clube de mães a que pertence, com 16 integrantes, se reúne para exercitar as habilidades manuais e a criatividade a cada 14 dias. O atendimento no espaço que comercializa a produção dos 74 clubes de mães da cidade, que congrega em torno de 1,6 mil mulheres, ocorre todas as quartas-feiras, das 8h às 17h30. Eraci revela que descobrir e trabalhar na própria criatividade veio como ajuda para vencer a depressão. O manuseio das linhas e das agulhas fazem surgir lindas peças de crochê, bastante admiradas pelos visitantes. Essa valorização alcançada pela habilidade manual, que passou a desenvolver a partir do Clube de Mães, deixa-a gratificada e vai muito além do valor cobrado pelas criações. Enquanto o olhar se ilumina, ela mostra com satisfação os itens que encantam tanto os visitantes da cidade como os turistas. Nas prateleiras, graciosos acessórios confeccionados em tricô e crochê, camisetas temáticas bordadas e pintadas, panos de prato pintados à mão, bolsas, carteiras, sacolas, bonecas e bichos de pano, flores, utilitários em madeira e peças criadas a partir de materiais recicláveis, como as garrafas pet. Para ela, estar ali é ter a oportunidade de conviver com mais pessoas, ser reconhecida pela atividade artesanal e ainda por cima contribuir para a venda dos produtos da associação. Essa rotina semanal, que passou a seguir há dois anos, sem dúvida faz toda a diferença na vida de Eraci, que não esconde o amor pela cidade que nasceu. A artesã destaca a força da indústria e o fato do município estar entre os maiores do Estado e do país. Apesar de considerar que a cidade ainda carece de infraestrutura e de lembrar que no bairro onde mora ainda não tem posto de saúde e entrega dos Correios, entende que a solidariedade é um fator que mantém a comunidade unida. Por isso, é um diferencial importante, comparativamente a outros municípios catarinenses. “Sinto muito orgulho de ser jaraguaense! É um lugar bom para se morar. Nasci aqui e nunca pensei em me mudar”, assegura, sorrindo.